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Tecnologia

IA deve concentrar quase metade da automação industrial até 2030

A inteligência artificial está mudando o funcionamento das fábricas e também onde o dinheiro será gerado no setor. Até 2030, soluções baseadas em IA podem representar quase metade das receitas relacionadas à automação industrial.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A automação industrial está entrando em uma transformação que vai muito além da instalação de máquinas mais modernas. Inteligência artificial, software, sensores e enormes volumes de dados começam a redefinir como as fábricas operam e quais empresas poderão liderar essa nova etapa da indústria.

Essa é uma das principais conclusões do relatório Industrial Automation: From Control to Intelligence, elaborado pela Bain & Company. Segundo a consultoria, até 2030 quase metade das receitas do mercado de automação industrial estará relacionada a soluções baseadas em inteligência artificial.

As aplicações industriais impulsionadas pela IA podem gerar cerca de 61,7 bilhões de euros em novo valor de mercado até o final da década, com crescimento estimado de aproximadamente 22%.

Fábricas estão deixando de apenas reagir aos problemas

Robots Fabrica China
© Getty Images – Unsplash

Durante décadas, a automação industrial foi construída principalmente em torno do controle.

Máquinas precisavam executar tarefas com precisão, sistemas monitoravam linhas de produção e equipamentos eram programados para manter processos funcionando dentro de parâmetros previamente estabelecidos.

Esse modelo está começando a mudar.

A nova geração de automação combina dados industriais, inteligência artificial, plataformas de software e dispositivos conectados.

Com isso, sistemas deixam de simplesmente executar instruções e começam a interpretar informações produzidas pelas próprias operações.

Uma fábrica pode, por exemplo, identificar sinais de desgaste em uma máquina antes que ela apresente uma falha.

Também pode ajustar automaticamente determinadas etapas da produção ao detectar mudanças na demanda, no consumo energético ou no desempenho dos equipamentos.

IA pode movimentar bilhões na indústria

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© YouTube

Segundo as projeções da Bain, algumas das maiores oportunidades estarão em áreas como robótica adaptativa, manutenção preditiva e sistemas capazes de analisar grandes volumes de informações industriais.

Essa transformação também deve alterar profundamente a distribuição dos lucros dentro do setor.

Mais de 80% dos benefícios futuros da automação industrial deverão ficar concentrados em duas grandes áreas: software, dados e inteligência artificial; e dispositivos inteligentes utilizados diretamente nas operações.

O software industrial deverá assumir o papel principal.

Plataformas de dados e ferramentas baseadas em IA poderão responder por mais da metade dos benefícios previstos para o mercado.

Dispositivos inteligentes devem representar outros 25% a 30%.

Os sistemas tradicionais de controle continuarão fundamentais para manter fábricas funcionando, mas poderão deixar de ser o principal diferencial competitivo.

Empresas já registram ganhos de produtividade

A mudança não está apenas nas projeções para o futuro.

Empresas que começaram a combinar inteligência artificial, software, dados e dispositivos conectados já estão observando resultados significativos, segundo a Bain.

A consultoria aponta ganhos de produtividade entre 30% e 50% em determinadas aplicações.

Os custos de manutenção podem cair até 35%, enquanto a vida útil dos equipamentos industriais também pode aumentar.

Uma das razões é a capacidade de antecipar problemas.

Em vez de esperar uma máquina quebrar para realizar manutenção, sensores podem acompanhar continuamente vibração, temperatura, pressão e outros indicadores.

Algoritmos analisam essas informações e procuram padrões associados a possíveis falhas.

A manutenção pode então ser realizada antes que o problema interrompa uma linha inteira de produção.

O dinheiro está migrando das máquinas para o software

Para Manuel de Soto, sócio da Bain & Company, a transformação envolve não apenas a tecnologia, mas também o lugar onde o valor econômico é criado.

Fabricar equipamentos eficientes continuará sendo importante. Mas isso pode não ser suficiente para competir no mercado industrial da próxima década.

As empresas também precisarão dominar dados, desenvolver software e atualizar constantemente suas soluções digitais.

Isso abre espaço para novos concorrentes.

Grandes empresas de tecnologia e companhias especializadas em inteligência artificial estão entrando no mercado de software industrial e plataformas de dados.

Ao mesmo tempo, fabricantes de hardware disputam componentes estratégicos utilizados na automação.

Para empresas tradicionais, o principal risco pode não ser uma ruptura repentina, mas uma perda gradual de relevância.

Cada indústria poderá ter sua própria inteligência artificial

Outra tendência importante será a especialização.

A Bain estima que aproximadamente 60% do crescimento adicional do mercado de automação industrial até 2030 poderá vir de soluções desenvolvidas especificamente para determinados setores.

Uma fábrica de automóveis possui necessidades muito diferentes das encontradas em uma indústria farmacêutica, siderúrgica ou alimentícia.

Os sistemas precisarão incorporar conhecimento sobre processos específicos, regulamentações e características de cada atividade.

Isso significa que simplesmente instalar um modelo genérico de inteligência artificial provavelmente não será suficiente.

As empresas precisarão combinar IA com conhecimento industrial especializado.

Automação pode se transformar em serviço permanente

A relação entre fabricantes de tecnologia e empresas industriais também tende a mudar.

Historicamente, sistemas de automação eram frequentemente tratados como grandes projetos de instalação. Equipamentos eram comprados, configurados e utilizados durante muitos anos.

Com software e inteligência artificial, esse modelo se torna mais dinâmico.

Os sistemas precisarão receber atualizações, novos modelos poderão ser incorporados e algoritmos terão que ser constantemente ajustados utilizando novos dados.

A automação passa, portanto, de uma instalação pontual para um processo permanente de otimização.

A próxima disputa industrial será pelos dados

A inteligência artificial pode se tornar o elemento responsável por conectar diferentes partes da fábrica.

Sensores produzem dados. Máquinas executam tarefas. Plataformas organizam informações. Algoritmos procuram padrões e transformam esses dados em decisões.

Com isso, fábricas poderão antecipar falhas, ajustar processos automaticamente e otimizar continuamente a produção.

A próxima corrida industrial, portanto, pode não ser decidida apenas por quem fabrica as melhores máquinas.

A vantagem poderá estar com quem conseguir transformar os dados produzidos por essas máquinas em conhecimento útil.

Empresas capazes de integrar equipamentos, dispositivos inteligentes, software e inteligência artificial dentro de uma mesma estratégia estarão melhor posicionadas para liderar essa transformação.

A fábrica do futuro será mais conectada e autônoma. E, se as projeções da Bain estiverem corretas, a IA deixará de ser apenas uma ferramenta adicional para se transformar em uma das principais bases de toda a automação industrial.

 

[ Fonte: El Economista ]

 

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