As bolsas americanas sempre foram vistas como termômetro do capitalismo global. No entanto, nos primeiros seis meses do novo mandato de Donald Trump, os índices de Wall Street ficaram entre os piores desempenhos do mundo. Um estudo da Elos Ayta mostra que apenas a Argentina teve resultado inferior. O que está por trás desse fenômeno inesperado e o que ele revela sobre o momento econômico dos EUA?
O desempenho global das bolsas no novo governo Trump
Um levantamento da consultoria Elos Ayta analisou o desempenho de 21 índices globais em dólares desde 20 de janeiro de 2025, data da posse de Donald Trump. O resultado surpreendeu: Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones apareceram nas últimas posições, à frente apenas do S&P Merval, da Argentina, que teve queda de 32,77%.
Entre os destaques positivos estavam os índices da Colômbia (Msci Colcap, com alta de 34,93%), Espanha (Ibex, com 32,16%) e Portugal (PSI, com 31,83%). Já o Ibovespa ficou em 10º lugar, com valorização de 19,77% em dólares — melhor do que os 10,35% registrados em reais.

O peso da moeda e a reação do mercado
Segundo Einar Rivero, sócio da Elos Ayta, dois fatores principais explicam o fraco desempenho das bolsas americanas. O primeiro é a desvalorização do dólar, que, ao cair frente a moedas como o real, favoreceu o desempenho de bolsas de outros países quando comparadas em dólares.
O segundo é a postura cautelosa dos investidores diante das políticas do novo governo Trump. Apesar de algumas medidas pontuais terem beneficiado setores específicos, o mercado como um todo reagiu com reserva, limitando os ganhos nos principais índices americanos.
Colômbia, Europa e China saem na frente
Enquanto os EUA patinavam, países da América Latina, Europa e Ásia brilharam. Colômbia, China, Alemanha, Espanha e Itália apresentaram crescimentos expressivos em seus índices, refletindo maior confiança do mercado e, em muitos casos, políticas econômicas mais previsíveis.
A análise de Rivero indica que, apesar do protagonismo histórico de Wall Street, o cenário está se diversificando. O futuro ainda é incerto, mas os próximos meses dirão se os EUA retomarão seu posto de liderança ou continuarão na sombra de outros mercados.
Fonte: Metrópoles