Pular para o conteúdo
Notícias

Flávio Bolsonaro denuncia fraude nas eleições, mas documentos e números do TSE contradizem acusações

Após a vitória de Lula, Flávio Bolsonaro questionou a ampliação do horário de votação e anunciou pedido de anulação. Documentos mostram que sua própria campanha também solicitou a prorrogação.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições brasileiras de 2026 provocou uma nova disputa sobre a legitimidade do resultado. Derrotado por mais de 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir a anulação da eleição, alegando irregularidades na ampliação do horário de votação. Entretanto, documentos apresentados pelas campanhas e dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contradizem pontos centrais das acusações.

Flávio Bolsonaro questiona decisão que ampliou votação até as 19h

A controvérsia começou no domingo, 25 de outubro, quando o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário de votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas.

Originalmente, o encerramento estava previsto para as 17h.

Flávio Bolsonaro acusou o tribunal de alterar as regras durante a eleição e anunciou que recorreria à Justiça para contestar o resultado.

Segundo uma investigação publicada pelo site Chequeado, as acusações também circularam em grupos de Telegram e em perfis políticos argentinos, acompanhadas de alegações de fraude sem comprovação.

Documentos revelam que o próprio PL pediu prorrogação

Um dos principais pontos identificados pela checagem envolve pedidos apresentados à Justiça Eleitoral.

A campanha de Lula solicitou a ampliação do horário devido a dificuldades de transporte público, especialmente em Salvador, na Bahia.

O pedido chegou ao STF às 16h22 e foi distribuído a Cristiano Zanin às 16h33.

Entretanto, a campanha de Flávio Bolsonaro também apresentou documentos solicitando duas horas adicionais de votação.

Os advogados do PL argumentaram que chuvas intensas poderiam impedir o comparecimento de eleitores em localidades de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Os documentos, examinados pela Agência Lupa, demonstram que a ampliação não foi uma reivindicação exclusiva do PT.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, posteriormente respaldou a decisão de Zanin, embora tenha reconhecido o caráter excepcional da medida.

Quantos votos foram registrados depois das 17h?

Flávio Bolsonaro denuncia fraude nas eleições, mas documentos e números do TSE contradizem acusações
© YouTube – Metrópoles

Votos após as 17h: 35.521

Vantagem final de Lula: 4,43 mi

Votos após as 17h em relação à diferença final: 0,8%

Comparação baseada nos números divulgados pelo Chequeado, a partir de dados eleitorais.

O levantamento identificou 35.521 votos registrados após as 17h, dos quais 30.866 estavam associados a seções com dados verificados nos boletins de urna.

A diferença final entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.

Portanto, mesmo na hipótese extrema de todos os votos registrados após as 17h terem sido destinados a Flávio Bolsonaro, eles não seriam suficientes para alterar o vencedor.

Uma análise adicional publicada pelo UOL apontou que apenas 4.068 votos foram registrados depois de esvaziadas as filas que já existiam no horário regular de encerramento.

TSE também rebate acusação sobre retirada de fiscais

Flávio Bolsonaro afirmou que representantes de seu partido teriam sido retirados da chamada sala-cofre durante a apuração.

O TSE contestou a acusação.

Segundo esclarecimento divulgado pela Justiça Eleitoral e noticiado pela Folha de S.Paulo, a sala-cofre não é um espaço aberto à visitação. A fiscalização partidária ocorre em ambientes específicos, incluindo a sala de totalização.

O tribunal informou que representantes do PL acompanharam a divulgação dos resultados nesse espaço.

Além disso, o sistema eleitoral brasileiro possui mecanismos de auditoria que permitem conferir a votação de cada seção.

Os Boletins de Urna, explicados pelo próprio TSE, registram os votos contabilizados e podem ser comparados com os resultados oficiais.

Acusações de fraude repercutiram também na Argentina

A narrativa ultrapassou as fronteiras brasileiras.

Segundo o Chequeado, publicações de influenciadores e veículos argentinos ligados à direita questionaram a decisão judicial e sugeriram interferência no resultado.

Entre os nomes mencionados estão Agustín Laje, Daniel Parisini e Javier Negre, ligado ao portal La Derecha Diario.

Entretanto, questionamentos políticos e suspeitas divulgadas nas redes sociais não constituem, por si só, evidência de manipulação eleitoral.

Os documentos disponíveis mostram que ambas as campanhas solicitaram prorrogações, enquanto os números demonstram que os votos registrados após o horário regular foram insuficientes para modificar o resultado. Isso não impede a apresentação de recursos judiciais, mas as alegações examinadas não comprovam fraude.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados