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Intriga no Vaticano: cardeal africano diz que foi excluído do conclave

Um cardeal veterano afirma que não foi convidado para a eleição do novo papa, apesar de estar apto a votar. A Igreja local diz que é por motivos de saúde. A Santa Sé nega tudo. E, por trás da polêmica, surgem velhas dúvidas sobre sua verdadeira idade.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Às vésperas do conclave que decidirá o novo líder da Igreja Católica, um episódio inesperado envolvendo o cardeal do Quênia, John Njue, abalou o Vaticano. A ausência do religioso acendeu discussões sobre transparência, idade real dos cardeais e disputas silenciosas nos bastidores da Santa Sé. A crise expõe, mais uma vez, como política e fé caminham juntas no coração da Igreja.

A denúncia do cardeal Njue

O cardeal queniano John Njue surpreendeu ao afirmar publicamente que não participaria do conclave porque não foi convidado. Segundo declarou ao jornal Daily Nation, “aqueles que participam da eleição costumam receber convites formais, e isso não aconteceu comigo. Não fui convidado”.

Mais ainda: negou que sua ausência esteja relacionada a problemas de saúde, como foi divulgado recentemente por autoridades eclesiásticas do Quênia. “Não é por motivo de saúde. Não sei, é difícil comentar sobre isso”, declarou Njue, que foi arcebispo de Nairóbi.

A resposta da Igreja do Quênia e do Vaticano

Papa Latino à Vista
© Unsplash – Caleb Miller

A reação foi imediata. Em nota oficial, o atual arcebispo de Nairóbi, Philip Anyolo, desmentiu o cardeal emérito. Afirmou que Njue está apto a participar e que recebeu, sim, o convite oficial por meio da Nunciatura Apostólica no Quênia.

Segundo o comunicado, a própria Nunciatura informou à Santa Sé que, por motivos de saúde, Njue não poderia viajar a Roma para o conclave.

No Vaticano, o porta-voz Matteo Bruni reforçou que, segundo as regras da Igreja, cardeais com menos de 80 anos não precisam de convite para participar do conclave. “Existe a lei. Em alguns casos, é o decano do colégio cardinalício que verifica. E neste caso, a Nunciatura interveio para esclarecer que ele não viria”, afirmou Bruni.

A polêmica da idade e o “rejuvenescimento”

A ausência de Njue reavivou uma questão antiga: sua idade real. Ele é o único cardeal do Quênia e foi nomeado em 2007 por Bento XVI. Até recentemente, acreditava-se que ele havia nascido em 1944. Porém, o jornal italiano Avvenire corrigiu a informação no anuário pontifício, fixando sua data de nascimento em 1º de janeiro de 1946.

Essa mudança “rejuvenesceu” o cardeal em dois anos, o que o colocou novamente dentro do limite de idade para votar no conclave — cardeais com 80 anos completos ou mais são excluídos da votação. A correção foi feita antes da morte do papa Francisco, o que garantiria sua elegibilidade.

Casos semelhantes e destinos diferentes

Njue não foi o único cardeal africano envolvido em controvérsias sobre idade. O cardeal Philippe Ouédraogo, de Burkina Faso, passou por situação parecida e também teve a idade corrigida para baixo. Ele, no entanto, está em Roma e participará do conclave.

Ambos atribuíram os erros aos registros civis imprecisos em suas regiões de origem, onde, nas décadas de 1940, era comum que datas de nascimento fossem inventadas ao registrar documentos oficiais.

O caso do cardeal indiano George Alencherry também chamou atenção: ele completou 80 anos apenas dois dias antes da morte de Francisco, o que o impediu de participar da votação.

 

Fonte: TN

 

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