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Irã diz estar perto de acordo com os EUA, mas tensão no Oriente Médio continua alta após ameaça de nova guerra

Teerã afirmou que está na fase final de um memorando de entendimento com Washington e que um acordo mais amplo pode surgir nas próximas semanas. Apesar do avanço diplomático, o clima segue instável: o estreito de Ormuz, as sanções econômicas e as ameaças militares continuam no centro da disputa entre os dois países.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O regime iraniano declarou neste sábado que as negociações com os Estados Unidos avançaram para uma “etapa final”, aumentando as expectativas por um possível acordo que poderia reduzir a tensão no Oriente Médio após meses de conflito militar e instabilidade regional.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, Teerã e Washington trabalham atualmente em um memorando de entendimento composto por 14 pontos. O documento serviria como uma espécie de acordo preliminar antes da definição de medidas mais concretas.

Apesar do tom relativamente otimista, o governo iraniano deixou claro que ainda existem divergências importantes entre os dois lados.

Um acordo que pode sair em até 60 dias

Em entrevista à emissora estatal IRIB, Baqaei afirmou que a prioridade inicial é concluir o memorando de entendimento. Depois disso, os detalhes do acordo definitivo poderiam ser resolvidos em um prazo entre 30 e 60 dias.

O porta-voz evitou demonstrar excesso de confiança e ressaltou que a aproximação diplomática não significa necessariamente consenso sobre os temas mais delicados.

“Isso não quer dizer que Irã e Estados Unidos chegarão automaticamente a um acordo sobre as questões centrais”, afirmou.

As negociações acontecem após o cessar-fogo estabelecido em 8 de abril, encerrando temporariamente uma escalada militar iniciada semanas antes com ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos contra alvos iranianos.

O estreito de Ormuz virou peça central das negociações

Irã quer transformar o Estreito de Hormuz em um corredor pago com Bitcoin
© Getty Images

Um dos pontos mais sensíveis do possível acordo envolve o estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa grande parte do petróleo exportado no mundo.

Desde o início do conflito, o Irã aumentou fortemente o controle sobre a região e passou a exigir autorização militar para a passagem de embarcações.

Teerã acusa os Estados Unidos de promover um “bloqueio naval” contra seus portos desde abril e classificou a presença militar americana na área como “pirataria contra a navegação internacional”.

Mesmo disposto a discutir mecanismos para o controle do estreito, o governo iraniano rejeitou qualquer participação direta de Washington na administração da região.

“O estreito de Ormuz não tem nada a ver com os Estados Unidos”, declarou Baqaei, acrescentando que qualquer acordo sobre o corredor marítimo deveria envolver apenas Irã e Omã, países banhados pela rota estratégica.

Programa nuclear ficou fora da negociação principal

Curiosamente, o programa nuclear iraniano — historicamente o principal foco de tensão entre os dois países — ficou de fora deste primeiro memorando.

Segundo o governo iraniano, a questão nuclear será discutida separadamente em uma etapa futura. O mesmo vale para o possível alívio das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, outro tema considerado central para Teerã.

A decisão mostra o tamanho da complexidade diplomática envolvida nas negociações. O objetivo imediato parece ser estabilizar a situação militar antes de entrar em assuntos mais explosivos.

A guerra que reacendeu a crise regional

A atual escalada começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos realizaram ataques coordenados contra alvos ligados ao regime iraniano. Entre os mortos estaria o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, segundo informações divulgadas durante o conflito.

Em resposta, o Irã lançou uma ofensiva com mísseis e drones contra diversos pontos do Oriente Médio, ampliando o risco de uma guerra regional de grandes proporções.

O cessar-fogo firmado em abril reduziu temporariamente os combates, mas a situação permanece extremamente frágil.

Marco Rubio fala em possível anúncio “nos próximos dias”

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© X – @Metropoles

Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou neste sábado, durante visita à Índia, que existe uma chance real de avanços rápidos nas negociações.

“Talvez ainda hoje, amanhã ou nos próximos dias tenhamos algo para anunciar”, declarou Rubio à imprensa.

Ao mesmo tempo, autoridades iranianas voltaram a fazer ameaças caso os Estados Unidos retomem ações militares.

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do regime, afirmou que as forças armadas do país foram reorganizadas durante o cessar-fogo e prometeu uma resposta ainda mais dura em caso de novos ataques americanos.

“Se Trump cometer outra insensatez e reiniciar a guerra, será mais devastador para os Estados Unidos do que no primeiro dia do conflito”, escreveu Ghalibaf nas redes sociais.

Diplomacia avança, mas desconfiança continua

Apesar dos sinais positivos, especialistas avaliam que o cenário permanece extremamente instável. Questões como o controle do estreito de Ormuz, as sanções econômicas e o programa nuclear iraniano seguem sendo obstáculos gigantescos para um acordo duradouro.

Além disso, a relação entre Irã e Estados Unidos carrega décadas de hostilidade, conflitos indiretos e crises diplomáticas que dificultam qualquer tentativa de aproximação definitiva.

Ainda assim, o simples fato de ambas as partes discutirem um memorando conjunto já representa uma mudança importante em um dos conflitos geopolíticos mais perigosos do planeta.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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