O cenário geopolítico internacional vive um momento crítico após os bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas. A ação, considerada uma “violação grave do direito internacional” por Teerã, pode desencadear desdobramentos de grande impacto político, militar e econômico. Com o chanceler iraniano se dirigindo a Moscou e o Estreito de Ormuz sob risco de fechamento, o mundo observa com apreensão os próximos passos.
Irã acusa os EUA de cruzarem uma “linha vermelha”
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O enviado especial do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que irá a Moscou para um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em meio à escalada de tensões após o ataque dos Estados Unidos. Durante coletiva, o chanceler iraniano evitou falar sobre retomada do… pic.twitter.com/pL8cc0ZZzj— TIANO MULLER (@Tianomuller) June 22, 2025
Em uma coletiva de imprensa realizada neste domingo (22) em Istambul, o chanceler iraniano Abbas Araqchi classificou os ataques dos Estados Unidos como uma “violação grave da Carta da ONU e do direito internacional”. Segundo ele, ao bombardear instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan, Washington teria ultrapassado um limite inaceitável.
Araqchi anunciou que o Irã convocou o Conselho de Segurança da ONU para uma reunião de emergência, em busca de condenação internacional à ação. Ele também apelou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que se manifeste formalmente contra os ataques.
A ofensiva coordenada entre EUA e Israel
O presidente americano Donald Trump confirmou, no sábado (21), que os bombardeios foram realizados com apoio direto de Israel. Segundo Trump, as instalações nucleares atingidas foram “completamente destruídas” por uma operação de alta precisão envolvendo mísseis Tomahawk e aeronaves B-2 Spirit com bombas de penetração profunda.
A emissora estatal israelense Kan relatou que a ação foi feita em “total coordenação” entre os governos de Washington e Tel Aviv. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o ataque “vai mudar a história”.
Retaliação e tensão no Estreito de Ormuz
Durante a coletiva, Araqchi evitou dar detalhes sobre uma eventual retomada de negociações com o Ocidente. “Aguardem nossa resposta primeiro. Quando a agressão terminar, depois poderemos decidir sobre a diplomacia”, afirmou.
O chanceler também foi questionado sobre um possível fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Ele respondeu que “uma variedade de opções está disponível para o Irã” e garantiu que as Forças Armadas do país estão em alerta máximo.
Crescente risco de conflito regional

Desde 13 de junho, a escalada militar se intensificou, com Israel iniciando ataques a alvos nucleares iranianos, aos quais Teerã respondeu com mísseis direcionados a Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. Com a entrada oficial dos EUA no conflito, o número de mortos já ultrapassa 240, e há milhares de feridos em ambos os lados.
Especialistas apontam que os bombardeios representam um sério revés para o programa nuclear iraniano, especialmente porque as instalações estavam fortemente protegidas por estruturas subterrâneas.
Moscou no centro das articulações diplomáticas
Como parte da resposta diplomática, Araqchi informou que se encontrará em breve com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou. A reunião pode ser decisiva para definir o tom da reação iraniana e envolver ainda mais potências na tentativa de evitar uma guerra regional.
Incertezas e temor internacional
Apesar de reafirmar que a diplomacia deve continuar sendo um princípio norteador, o chanceler deixou claro: “Este não é o momento para diálogo.”
A comunidade internacional observa a situação com apreensão, diante da possibilidade de colapso das negociações nucleares e de novos confrontos no Oriente Médio. O temor de que o Irã bloqueie o Estreito de Ormuz pressiona o mercado global de energia, com expectativa de alta nos preços do petróleo caso a rota seja fechada.
[ Fonte: G1.Globo ]