Com a estreia de Avatar: Fire and Ash, o terceiro capítulo da saga ambientada em Pandora, muita gente imagina que James Cameron esteja confortável em passar décadas imerso nesse universo. Mas o próprio diretor faz questão de desfazer essa ideia. Em entrevistas recentes, Cameron deixou claro que não pretende dedicar o resto da vida apenas a Avatar, mesmo que a franquia continue fazendo sucesso.
Em um perfil publicado pelo The Hollywood Reporter, o cineasta reconheceu que, embora exista um plano narrativo para até cinco filmes, Fire and Ash pode acabar sendo o último, dependendo do desempenho comercial. Segundo ele, o futuro da saga também funciona como um teste para o próprio cinema contemporâneo.
Avatar como termômetro do cinema atual
Cameron afirmou que o lançamento de Avatar 3 pode responder a uma pergunta incômoda: se a experiência cinematográfica perdeu força ou se continua relevante — ainda que para tipos específicos de filmes.
“Esse pode ser o último”, disse ele à revista. “Podemos descobrir que Avatar 3 prova o quanto a experiência de ir ao cinema foi esvaziada, ou que ela continua tão forte quanto sempre foi, mas apenas para certos tipos de produções. Neste momento, é um cara ou coroa.”
O diretor afirmou que só terá clareza sobre esse cenário algumas semanas após a estreia, prevista para 19 de dezembro, quando os números de bilheteria começarem a se consolidar.
Fazer menos Avatar — ou apenas de outro jeito
Questionado sobre o que preferiria, Cameron respondeu com outra provocação: seria melhor um sucesso tão grande que o obrigasse a continuar indefinidamente em Pandora, ou um desempenho “apenas moderado”, que abrisse espaço para novos projetos?
Segundo ele, a resposta não é abandonar Avatar, mas mudar a forma de se envolver. Cameron afirmou que não pretende continuar sendo absolutamente responsável por cada detalhe técnico e criativo dos próximos filmes.
“Eu tenho outras histórias para contar, dentro e fora de Avatar”, explicou. “O que não vai acontecer é eu passar anos e anos fazendo só Avatar. Vou encontrar outra forma, com mais colaboração. Não estou dizendo que vou deixar de dirigir, mas vou recuar um pouco do controle total.”
Outros projetos já em andamento
Essa mudança de postura já começa a se refletir na agenda do diretor. No curto prazo, Cameron prepara o lançamento de Hit Me Hard and Soft, um documentário em 3D sobre a turnê de Billie Eilish. Paralelamente, ele segue tentando tirar do papel Ghost of Hiroshima, projeto dramático que ainda depende de um roteiro finalizado.
Mas é outro retorno que mais chama a atenção dos fãs: Terminator.
Um novo Terminator — sem Arnold
Cameron confirmou que pretende mergulhar novamente no universo de Terminator assim que a fase mais intensa de Avatar passar. O projeto ainda está em estágio inicial, mas o diretor deixou claro que quer repensar a franquia de forma profunda.
“Há muitos problemas narrativos para resolver”, disse ele. “O maior deles é como me manter à frente do que já está acontecendo no mundo real para que isso continue sendo ficção científica.”
Apesar do entusiasmo, Cameron descartou qualquer participação de Arnold Schwarzenegger. Segundo ele, Terminator: Dark Fate (2019) já ofereceu um encerramento adequado para o T-800 clássico.
“É hora de uma nova geração de personagens”, afirmou. “A ideia de Terminator precisa ir além do fan service e explorar de forma mais ampla conceitos como guerra temporal e superinteligência. Quero fazer coisas que as pessoas ainda não estão imaginando.”
Menos nostalgia, mais risco criativo
O cineasta também comentou o recente renascimento artístico de grandes franquias, como Alien, que ganhou nova vida com projetos mais autorais. Embora tenha elogiado algumas dessas iniciativas, Cameron deixou claro que não quer repetir referências excessivas ao passado.
“Eu estava lá em Aliens há mais de 40 anos. Repetir aquilo hoje não me interessa”, disse.
Um recado direto aos críticos
Durante a entrevista, Cameron reagiu com irritação a uma pergunta inspirada em um post do Reddit que lamentava o fato de ele “desperdiçar talento” ao passar décadas trabalhando em Avatar. A resposta foi direta e sem filtros.
“Eu me sinto realizado como artista”, afirmou. “Quando essas pessoas virarem cineastas, podem tomar suas próprias decisões — ou simplesmente ficar fora disso. É a minha carreira, não a deles.”
Um futuro além de Pandora
Com Avatar: Fire and Ash prestes a estrear, James Cameron se encontra em um ponto de inflexão raro: ao mesmo tempo em que avalia o futuro de sua franquia mais lucrativa, ele prepara o terreno para uma nova fase criativa, com menos controle absoluto, mais colaboração e projetos que vão muito além dos Na’vi.
Se Avatar continuará por mais dois filmes ou não, ainda é incerto. O que parece claro é que Cameron não quer ser lembrado como um diretor de uma única saga — e está disposto a arriscar para provar isso.