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Ciência

Japão testa tecnologia que pode empurrar lixo espacial de volta à Terra sem tocá-lo

Sistema desenvolvido no Japão usa jatos de plasma para desacelerar detritos em órbita sem contato físico, fazendo com que eles eventualmente reentrem na atmosfera.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A órbita da Terra está cada vez mais congestionada. Satélites desativados, estágios de foguetes e fragmentos produzidos por colisões formam uma enorme população de lixo espacial capaz de ameaçar espaçonaves e satélites em funcionamento.

Uma tecnologia desenvolvida na Universidade de Tohoku, no Japão, propõe uma solução diferente: empurrar esses objetos usando plasma, sem sequer precisar tocá-los.

O sistema foi apresentado em um estudo publicado na revista Scientific Reports e demonstrado em experimentos de laboratório. A ideia é desacelerar os detritos até que suas órbitas diminuam e eles acabem reentrando na atmosfera terrestre.

Um jato de plasma contra o lixo espacial

Astrônomos Descobrem Enxame Oculto De Lixo Espacial Que Ameaça A órbita Mais ValiOSa Da Terra
© ESA

O projeto é liderado pelo pesquisador Kazunori Takahashi, da Universidade de Tohoku. Em vez de capturar fisicamente um objeto, um satélite de remoção equipado com o sistema lançaria um fluxo de plasma em sua direção.

A força aplicada reduziria gradualmente a velocidade orbital do detrito. Com energia suficiente perdida, sua órbita começaria a cair até provocar a reentrada na atmosfera, onde grande parte do material poderia ser destruída pelas condições extremas encontradas durante a descida.

Existe, porém, um problema básico de física. Se o satélite lança plasma em uma direção, ele também recebe impulso no sentido oposto. Isso faria com que o veículo se afastasse justamente do objeto que está tentando remover.

A solução encontrada por Takahashi é um propulsor capaz de produzir dois jatos de plasma em direções opostas.

Um deles é direcionado ao lixo espacial, enquanto o outro compensa o impulso recebido pelo satélite. Dessa forma, o sistema consegue manter uma força líquida próxima de zero sobre o próprio veículo enquanto continua desacelerando o alvo.

Segundo a Universidade de Tohoku, testes realizados em câmaras de vácuo mostraram que o conceito funciona e consegue manter esse equilíbrio.

Um campo magnético tornou o sistema mais eficiente

Os pesquisadores também introduziram uma configuração especial de campo magnético conhecida como “cúspide”.

Ela ajuda a reduzir perdas de plasma e melhorar a força aplicada ao objeto. Nos testes em alta potência, essa configuração conseguiu triplicar a força de desaceleração em comparação com resultados anteriores.

Outra vantagem é que o propulsor pode funcionar com argônio, um elemento mais barato e abundante do que propelentes tradicionalmente utilizados em alguns sistemas de propulsão espacial.

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em desenvolvimento. Os experimentos demonstraram o princípio em laboratório, mas isso é diferente de operar um sistema completo em órbita contra detritos reais.

O lixo espacial já é um problema gigantesco

Lixo Espacial5
© Dabarti CGI – Shutterstock

A dimensão do desafio ajuda a explicar o interesse por novas tecnologias.

Dados atualizados da Agência Espacial Europeia (ESA) estimam cerca de 68 mil objetos maiores que 10 centímetros ao redor da Terra. Há ainda aproximadamente 1,5 milhão de fragmentos entre 1 e 10 centímetros e cerca de 230 milhões entre 1 milímetro e 1 centímetro.

Nem todos podem ser rastreados individualmente.

O perigo está principalmente na velocidade. Objetos em órbita podem viajar a vários quilômetros por segundo, fazendo com que até pequenos fragmentos sejam capazes de provocar danos graves em uma colisão.

A situação também envolve o chamado síndrome de Kessler. Nesse cenário, colisões produzem novos fragmentos, que aumentam a probabilidade de outras colisões e iniciam uma reação em cadeia.

No Space Environment Report 2026, a ESA alerta que a população de detritos continua crescendo e considera a remoção ativa de lixo espacial necessária para impedir que esse processo se torne autossustentável.

É justamente nesse cenário que o propulsor japonês pode encontrar espaço. Em vez de tentar agarrar objetos que podem estar girando descontroladamente, um futuro satélite poderia simplesmente manter distância e empurrá-los com plasma.

Ainda falta transformar o experimento em uma tecnologia operacional. Mas conseguir mover lixo espacial sem tocá-lo pode ser uma ferramenta importante para evitar que algumas das regiões mais utilizadas ao redor da Terra se tornem cada vez mais perigosas.

 

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