Perder peso costuma ser apenas o primeiro desafio para quem convive com sobrepeso ou obesidade. Manter os resultados ao longo do tempo é uma tarefa muito mais difícil. Agora, uma pesquisa liderada pela Universidade de Granada, na Espanha, traz uma notícia animadora: o jejum intermitente pode ajudar a evitar o chamado efeito sanfona. Os resultados indicam que pessoas que restringem a alimentação a uma janela de oito horas conseguem preservar a perda de peso por pelo menos um ano após o término da intervenção.
Estudo avaliou o jejum intermitente 16:8

A pesquisa, publicada na revista Clinical Nutrition, analisou uma das modalidades mais populares de jejum intermitente: o protocolo 16:8.
Nesse modelo, a pessoa permanece 16 horas em jejum e concentra todas as refeições nas oito horas restantes do dia.
Segundo os pesquisadores, essa estratégia reduz naturalmente o consumo diário de energia sem exigir contagem de calorias ou mudanças específicas na proporção de carboidratos, proteínas e gorduras da dieta.
Estudos anteriores já indicavam que esse padrão alimentar costuma diminuir a ingestão energética entre 300 e 500 calorias por dia, favorecendo uma perda moderada de peso e melhorias na saúde metabólica.
A perda de peso permaneceu após um ano
O principal objetivo da pesquisa foi verificar se os benefícios continuavam após o fim da intervenção.
Os resultados mostraram que os participantes conseguiram manter o peso perdido mesmo 12 meses depois.
Além disso, o horário escolhido para realizar a janela alimentar não fez diferença significativa.
Os voluntários que concentraram as refeições entre 9h e 17h apresentaram resultados semelhantes aos que preferiram comer entre 13h e 21h.
No entanto, aqueles que adotaram a janela mais cedo mantiveram uma redução um pouco maior da gordura corporal.
Um hábito que parece fácil de manter

Segundo a pesquisadora Alba Camacho Cardeñosa, uma das responsáveis pelo estudo, os resultados ajudam a responder uma dúvida importante sobre o jejum intermitente.
Até então, havia evidências consistentes de que essa estratégia promovia perda de peso no curto prazo, mas ainda não estava claro se seus efeitos permaneceriam após o encerramento do acompanhamento.
Durante o período de acompanhamento, aproximadamente um terço dos participantes decidiu continuar praticando o jejum intermitente por iniciativa própria.
Para os pesquisadores, esse dado sugere que o método pode ser relativamente simples de incorporar à rotina diária.
O jejum intermitente pode ser uma ferramenta contra o efeito sanfona
A pesquisa faz parte de um projeto mais amplo cujos principais resultados já haviam sido publicados anteriormente na revista Nature Medicine.
Nesse estudo, participantes que seguiram protocolos de alimentação com restrição de horário perderam, em média, entre três e quatro quilos a mais do que aqueles que receberam apenas orientações nutricionais convencionais.
Agora, os novos resultados mostram que o benefício mais importante pode não ser apenas emagrecer, mas conseguir manter essa perda ao longo do tempo.
Como menos de 20% das pessoas com sobrepeso conseguem preservar a redução do peso corporal por mais de um ano após tratamentos baseados apenas em mudanças no estilo de vida, estratégias sustentáveis como o jejum intermitente podem representar uma alternativa promissora.
Ainda assim, os especialistas ressaltam que esse padrão alimentar não substitui uma dieta equilibrada nem o acompanhamento de profissionais de saúde. O jejum intermitente pode ser uma ferramenta útil para algumas pessoas, mas deve ser adotado de forma individualizada, levando em conta as necessidades e condições de cada paciente.
[ Fonte: Men´s Health ]