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Ciência

Reciclagem de painéis solares e baterias pode gerar US$ 209 bilhões para a América Latina até 2050

Um novo estudo aponta que a reciclagem de equipamentos usados na transição energética pode se transformar em um dos maiores negócios da economia circular na América Latina. Além de reduzir impactos ambientais, a recuperação de materiais estratégicos pode movimentar centenas de bilhões de dólares nas próximas décadas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A rápida expansão da energia solar, eólica e dos sistemas de armazenamento por baterias está criando um novo desafio para os países latino-americanos: o destino de milhões de equipamentos que chegarão ao fim de sua vida útil nas próximas décadas. Segundo um relatório divulgado pela Organização Latino-Americana de Energia (Olade), a reciclagem desses componentes poderá recuperar materiais avaliados em cerca de US$ 209 bilhões até 2050, fortalecendo a economia circular e reduzindo a dependência de matérias-primas virgens.

Equipamentos da transição energética começam a gerar novos desafios

Energia Eólica1
© Unsplash – American Public Power Association

Embora a adoção em larga escala da energia solar e eólica tenha acelerado principalmente na última década, parte desses equipamentos já começa a ser substituída.

Além do desgaste natural, falhas prematuras e avanços tecnológicos vêm antecipando o descarte de painéis solares, turbinas eólicas e baterias utilizadas para armazenar energia.

Segundo a Olade, esse cenário levou diversos países da região a desenvolver programas específicos para reciclagem e reaproveitamento desses materiais.

O objetivo é evitar que metais pesados, plásticos e substâncias potencialmente tóxicas contaminem o solo, a água e o ar ao longo do ciclo de vida dessas tecnologias.

A economia circular pode movimentar centenas de bilhões de dólares

O relatório destaca que esses resíduos representam uma oportunidade econômica de grande escala.

Por meio de estratégias de reciclagem, reutilização e valorização de materiais, a região poderá recuperar cerca de US$ 209 bilhões até meados do século.

Além dos ganhos financeiros, a reutilização desses componentes reduziria a necessidade de extração de novos recursos minerais e fortaleceria cadeias produtivas ligadas à transição energética.

Segundo a organização, o desenvolvimento dessa indústria também pode impulsionar a geração de empregos especializados e ampliar a segurança no fornecimento de matérias-primas estratégicas para o setor energético.

Milhões de painéis solares e turbinas já operam na região

Painéis solares sobre canais de irrigação estão mudando o jogo — e não é só pela energia
© Pexels

Os números mostram a dimensão do desafio.

Atualmente, a América Latina e o Caribe possuem aproximadamente 150 milhões de painéis solares em operação e cerca de 16 mil aerogeradores distribuídos por diferentes países.

Com a expansão contínua das fontes renováveis, a quantidade de equipamentos que precisará ser reciclada tende a crescer rapidamente nas próximas décadas.

A projeção da Olade indica que, até 2050, as tecnologias da transição energética concentrarão cerca de 81 milhões de toneladas de materiais.

Desse total, aproximadamente 36 milhões de toneladas serão de aço, volume equivalente a 63% da produção anual atual desse metal em toda a região.

Cobre e alumínio estarão entre os materiais mais valiosos

O levantamento também destaca a importância de outros metais estratégicos.

Cerca de 4 milhões de toneladas corresponderão ao cobre, quantidade próxima de 40% da produção anual latino-americana.

Já o alumínio deverá representar aproximadamente 10 milhões de toneladas, quase três vezes a produção anual atual da região.

A recuperação desses materiais poderá reduzir importações, fortalecer a indústria regional e diminuir a dependência de recursos naturais extraídos diretamente do meio ambiente.

A região ainda precisa desenvolver infraestrutura para reciclagem

Apesar do potencial econômico, a Olade alerta que a maioria dos países latino-americanos ainda não possui estrutura suficiente para lidar com esse novo mercado.

Segundo o relatório, será necessário criar regulamentações específicas, ampliar sistemas de logística reversa, desenvolver mecanismos de rastreabilidade e implementar modelos de responsabilidade estendida dos fabricantes.

Essas medidas serão fundamentais para garantir que o crescimento da energia limpa seja acompanhado por uma gestão adequada dos resíduos gerados pelas próprias tecnologias da transição energética.

Para a organização, investir desde agora na reciclagem desses equipamentos permitirá transformar um futuro problema ambiental em uma importante fonte de matérias-primas, inovação e desenvolvimento econômico para toda a América Latina.

 

[ Fonte: La Tribuna ]

 

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