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Ciência

“Jovens homens estão em crise – e precisamos ajudá-los antes que seja tarde”

Eles enfrentam mais solidão, depressão, desemprego e dificuldades emocionais. Estão ficando para trás em relação às mulheres. Para o professor Scott Galloway, é hora de agir: recuperar a autoestima dos rapazes é uma urgência social — e também um benefício para todos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma geração de homens jovens está se tornando inviável — emocional e economicamente. Essa é a tese do professor Scott Galloway, da Universidade de Nova York, que vem chamando atenção com seus livros, podcasts e consultorias políticas. Para ele, a crise masculina não é apenas um fenômeno pessoal ou cultural: é um alerta social urgente, e uma oportunidade de reconstrução. Seu novo podcast Lost Boys e o próximo livro Notes on Being a Man abordam o tema com franqueza.

A dura realidade por trás das estatísticas

Galloway aponta dados alarmantes: os homens jovens têm quatro vezes mais chances de se suicidar, três vezes mais chances de desenvolver vícios, 12 vezes mais chances de serem presos. Eles sofrem com obesidade, ansiedade, depressão — e, pela primeira vez, um homem de 30 anos não está em melhor situação que seus pais estavam na mesma idade.

Enquanto isso, as mulheres avançam: ganham mais, têm mais propriedades e ocupam mais espaço no mercado de trabalho. Para Galloway, isso é motivo de celebração, não de ressentimento. Mas o fato de que os homens estão ficando para trás deve ser reconhecido — e enfrentado.

 

O isolamento masculino e o colapso das relações

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© Freepik

Embora a solidão afete ambos os sexos, Galloway explica que os homens tendem a lidar com ela de forma mais destrutiva: se isolam, mergulham em pornografia e videogames, e se afastam da vida social. As mulheres, por outro lado, costumam investir mais em amizades, carreira e desenvolvimento pessoal.

Hoje, dois terços das mulheres com menos de 30 anos estão em um relacionamento, enquanto apenas um em cada três homens da mesma faixa etária namora. Elas buscam parceiros mais maduros e viáveis emocional e financeiramente — e isso deixa os homens jovens ainda mais excluídos.

 

A redefinição do que é ser homem

Para Galloway, a saída está em ressignificar a masculinidade em três pilares: provedor, protetor e procriador.

Como provedor, o homem não precisa necessariamente ganhar mais, mas deve assumir responsabilidades econômicas em sua relação — ou apoiar a carreira da parceira, se ela estiver em melhor posição. Ele mesmo conta que ficou em casa com os filhos enquanto sua esposa trabalhava no Goldman Sachs. “Foi um pouco castrador? Sim. Mas necessário.”

Como protetor, ele acredita que o homem deve agir com força moral e física para garantir segurança ao seu redor — não apenas contra ameaças físicas, mas também defendendo pessoas atacadas ou marginalizadas, como mulheres no transporte público ou a comunidade trans.

E como procriador, o desejo de formar uma família pode ser um norte motivacional. “Ter meus quatro filhos é a coisa mais gratificante da minha vida”, afirma.

O impacto social da crise masculina

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© pepi NIKOLOPOULOU -Unsplash

Galloway também sugere medidas polêmicas: como forma de combater o isolamento, ele defende, com humor, que os jovens saiam mais, bebam (com moderação) e corram riscos sociais. “O risco de um fígado afetado aos 25 anos é menor do que o da ansiedade e do isolamento profundo.”

Ele defende ainda investimentos públicos, como aumentar o salário mínimo nos EUA para US$ 25 por hora, para tornar economicamente viáveis os relacionamentos e os projetos de vida dos jovens.

 

Nem revanche, nem competição: empatia

Galloway reconhece que o progresso feminino é recente e merecido — e que não se trata de voltar atrás. “As mulheres trabalharam duro, se adaptaram melhor à economia da informação e merecem colher os frutos disso.” Mas, segundo ele, empatia não é um jogo de soma zero.

“Muitas mulheres querem que haja mais homens viáveis, emocional e financeiramente. Porque isso também afeta a vida delas. O sucesso feminino não é sustentável se os homens continuarem fracassando em massa.”

Ele alerta: quando homens jovens começam a culpar as mulheres ou os imigrantes por seus fracassos, é sinal de que perderam o rumo. “Precisamos ajudá-los antes que isso se torne uma espiral sem volta.”

 

[ Fonte: BBC Mundo ]

 

 

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