A crise de natalidade já é uma realidade em muitos países desenvolvidos. Com o custo de vida alto, instabilidade no trabalho e falta de apoio público, a maternidade tem sido adiada — ou até descartada — por muitas mulheres. No entanto, a Suécia apresenta um dado surpreendente: mulheres com maiores rendas estão optando por ter mais filhos. Um movimento que desafia padrões globais e desperta atenção de governos preocupados com o futuro demográfico.
Renda alta, mais filhos: uma inversão no padrão
Um estudo do demógrafo Martin Kolk, da Universidade de Estocolmo, revelou que mulheres suecas com maior renda acumulada têm mais filhos do que aquelas com menor poder aquisitivo. O levantamento foi feito com base em décadas de dados fiscais e registros de natalidade. Entre as nascidas nas décadas de 1960 e 1970, a tendência se inverteu em relação às gerações anteriores, nas quais as mulheres mais pobres eram as que mais tinham filhos.
Hoje, mulheres com boas carreiras têm mais chances de formar famílias maiores — com dois ou três filhos — do que aquelas com poucos recursos financeiros. O mesmo padrão também se repete entre os homens: os de maior renda tendem a ter mais filhos, enquanto muitos homens de baixa renda optam por não ter nenhum.

O papel das políticas públicas
Esse cenário só foi possível graças a um modelo estatal sólido de apoio à maternidade. Na Suécia, políticas como licença parental remunerada, creches subsidiadas, flexibilidade no trabalho e incentivo à participação paterna criaram um ambiente onde a maternidade não representa um obstáculo à carreira.
Dessa forma, mulheres que antes poderiam adiar ou evitar ter filhos por medo de prejuízos profissionais agora se sentem seguras para formar famílias maiores. O Estado reduz os custos diretos e indiretos de ter filhos — especialmente para as mulheres mais bem-sucedidas financeiramente, que têm mais a perder.
Um exemplo para o mundo — inclusive o Brasil
Nos Estados Unidos, por exemplo, o cenário ainda é inverso: famílias mais pobres continuam tendo mais filhos, enquanto as mais ricas têm taxas de natalidade mais baixas. Já o caso sueco mostra que, com suporte governamental eficaz, é possível inverter esse padrão e equilibrar maternidade e vida profissional.
Para países como o Brasil, que enfrentam um envelhecimento populacional crescente e desafios econômicos para famílias com filhos, o modelo sueco pode inspirar novas políticas públicas. Como diz Kolk, “as mulheres não precisam mais escolher entre ter filhos ou uma carreira — e isso muda tudo”.