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Juiz argentino proíbe divulgação de áudios atribuídos à irmã de Milei

A poucos dias das eleições legislativas, o governo argentino enfrenta uma nova crise política. Um juiz federal proibiu, nesta segunda-feira (1°), a publicação de áudios vazados que supostamente envolvem Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei, em um possível esquema de corrupção.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Ordem judicial e tentativa de conter a crise

A decisão foi revelada pelo porta-voz presidencial, Manuel Adorni, que publicou a ordem nas redes sociais. O documento proíbe que veículos de comunicação e plataformas de mídia social divulguem áudios gravados dentro da Casa Rosada — sede do governo argentino.

Segundo Adorni, a ação faz parte de uma denúncia apresentada pelo governo à Justiça Federal, que acusa a existência de uma “operação de inteligência ilegal” com o objetivo de desestabilizar o país em plena campanha eleitoral.

O que dizem os áudios vazados

As gravações, reveladas pelo canal de streaming Carnaval, teriam captado conversas privadas de autoridades, incluindo Karina Milei, atual secretária-geral da Presidência.

De acordo com as supostas falas do ex-diretor da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, o governo estaria envolvido em um esquema de propina para o fornecimento de medicamentos. No relato, Spagnuolo cita diretamente Karina Milei e Eduardo “Lule” Menem, subsecretário de Gestão Institucional e parente do ex-presidente Carlos Menem.

A CNN afirma que não conseguiu verificar a autenticidade dos áudios de forma independente.

Esquema de corrupção e denúncia criminal

Milei
© LUIS ROBAYO/AFP via Getty Images

Segundo a denúncia apresentada pelo advogado Gregorio Dalbón, que também defende a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, o esquema teria funcionado por meio da farmácia Suizo Argentina.

Ainda de acordo com as informações contidas nos áudios vazados, 3% do valor de contratos de medicamentos fornecidos pela Andis teriam sido destinados diretamente à Secretaria-Geral da Presidência, chefiada por Karina Milei.

O documento acusa Javier Milei, Karina Milei, Lule Menem, Spagnuolo e o empresário Eduardo Kovalivker, dono da farmácia, de integrarem um “circuito estruturado de corrupção” que teria beneficiado diretamente o núcleo mais próximo ao presidente.

Repercussão política e impacto nas eleições

A denúncia chega em um momento sensível para Javier Milei, que construiu sua imagem como outsider político e defensor do combate aos “negócios sujos” da velha política. O caso explode a poucos dias das eleições legislativas na província de Buenos Aires, marcadas para 7 de setembro, e dois meses antes das eleições nacionais, previstas para 26 de outubro.

Em declarações nas gravações, Spagnuolo teria afirmado que chegou a alertar Milei sobre o esquema:

“Falei com o presidente; tenho todas as mensagens de WhatsApp da Karina.”

Por enquanto, o governo mantém a narrativa de que os áudios fazem parte de uma operação ilegal com fins políticos. No entanto, o episódio aumenta a pressão sobre o presidente e sua irmã no momento mais delicado do seu mandato.

Com as eleições se aproximando e a proibição de divulgar os áudios vazados, a tensão política na Argentina só cresce. Os próximos dias prometem ser decisivos para o governo Milei e para o futuro do país.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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