A ideia de delegar todo o trabalho à inteligência artificial conquistou muitos desenvolvedores. Copiar e colar trechos sugeridos por modelos de linguagem parecia um atalho para criar projetos em tempo recorde. Mas a experiência de Karpathy mostra que, quando a complexidade aumenta, as “vibes” já não são suficientes.
O retorno ao código manual
Um ano após deixar a OpenAI, Karpathy lançou o nanochat, um modelo minimalista de linguagem que promete permitir a qualquer pessoa construir uma versão própria de chatbot em poucas horas e por baixo custo. O detalhe surpreendente é que ele mesmo escreveu cerca de 8 mil linhas de código limpo, sem apoio das ferramentas de IA.
Segundo Karpathy, tentou recorrer a agentes como Claude e Codex, mas rapidamente se deu conta de que não conseguiam entregar o que precisava. Resultado: preferiu programar à moda antiga, confiando apenas no autocompletar do editor.
O limite do “vibe coding”
No passado, Karpathy descreveu o vibe coding como ideal para “projetos de fim de semana” ou experimentos que não exigem tanto rigor. A técnica consiste em aceitar cegamente o que a IA sugere, colando mensagens de erro sem entender o código e ajustando ao acaso até que funcione.
Essa estratégia pode servir para montar protótipos rápidos, mas, como revelou o caso do nanochat, não funciona para arquiteturas complexas que exigem consistência e precisão.
O que dizem os desenvolvedores
Pesquisas recentes reforçam a crítica. Uma enquete realizada pela empresa de nuvem Fastly mostrou que 95% dos programadores gastam tempo extra corrigindo trechos de código produzidos por IA. Em alguns casos, os erros são tão numerosos que o esforço de revisão supera o ganho inicial de produtividade.
Outra análise, da firma METR, constatou que o uso intensivo de IA pode até alongar o tempo de entrega de tarefas. Algumas empresas, diante disso, passaram a contratar especialistas humanos apenas para revisar e consertar o que a máquina produziu.
As vibes não bastam
O caso de Karpathy deixa claro que a automação não é mágica. Embora os modelos de linguagem tenham revolucionado a forma de escrever software, ainda não substituem por completo a lógica, a intuição e o conhecimento humano.
No fim das contas, como escreveu o próprio criador do termo, as “vibes” podem ser úteis para começar algo novo, mas não garantem solidez em projetos que exigem estrutura. A lição é simples: programar com IA pode acelerar, mas não elimina a necessidade de pensar como desenvolvedor.
Fonte: Gizmodo ES