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Tecnologia

Karpathy admite: a IA não deu conta, tive que programar tudo à mão

O programador Andrej Karpathy, ex-OpenAI e criador do termo “vibe coding”, acaba de revelar algo inesperado: seu novo projeto, nanochat, foi desenvolvido totalmente à mão, sem recorrer à filosofia de “entregar-se às vibes”. A confissão expõe os limites dessa abordagem e levanta dúvidas sobre o futuro da programação com IA.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A ideia de delegar todo o trabalho à inteligência artificial conquistou muitos desenvolvedores. Copiar e colar trechos sugeridos por modelos de linguagem parecia um atalho para criar projetos em tempo recorde. Mas a experiência de Karpathy mostra que, quando a complexidade aumenta, as “vibes” já não são suficientes.

O retorno ao código manual

Um ano após deixar a OpenAI, Karpathy lançou o nanochat, um modelo minimalista de linguagem que promete permitir a qualquer pessoa construir uma versão própria de chatbot em poucas horas e por baixo custo. O detalhe surpreendente é que ele mesmo escreveu cerca de 8 mil linhas de código limpo, sem apoio das ferramentas de IA.

Segundo Karpathy, tentou recorrer a agentes como Claude e Codex, mas rapidamente se deu conta de que não conseguiam entregar o que precisava. Resultado: preferiu programar à moda antiga, confiando apenas no autocompletar do editor.

O limite do “vibe coding”

No passado, Karpathy descreveu o vibe coding como ideal para “projetos de fim de semana” ou experimentos que não exigem tanto rigor. A técnica consiste em aceitar cegamente o que a IA sugere, colando mensagens de erro sem entender o código e ajustando ao acaso até que funcione.

Essa estratégia pode servir para montar protótipos rápidos, mas, como revelou o caso do nanochat, não funciona para arquiteturas complexas que exigem consistência e precisão.

O que dizem os desenvolvedores

Pesquisas recentes reforçam a crítica. Uma enquete realizada pela empresa de nuvem Fastly mostrou que 95% dos programadores gastam tempo extra corrigindo trechos de código produzidos por IA. Em alguns casos, os erros são tão numerosos que o esforço de revisão supera o ganho inicial de produtividade.

Outra análise, da firma METR, constatou que o uso intensivo de IA pode até alongar o tempo de entrega de tarefas. Algumas empresas, diante disso, passaram a contratar especialistas humanos apenas para revisar e consertar o que a máquina produziu.

As vibes não bastam

O caso de Karpathy deixa claro que a automação não é mágica. Embora os modelos de linguagem tenham revolucionado a forma de escrever software, ainda não substituem por completo a lógica, a intuição e o conhecimento humano.

No fim das contas, como escreveu o próprio criador do termo, as “vibes” podem ser úteis para começar algo novo, mas não garantem solidez em projetos que exigem estrutura. A lição é simples: programar com IA pode acelerar, mas não elimina a necessidade de pensar como desenvolvedor.

Fonte: Gizmodo ES

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