O universo dos games online no Brasil está prestes a passar por uma transformação inesperada. Uma nova legislação voltada à proteção de crianças e adolescentes está obrigando grandes empresas do setor a rever completamente a forma como seus jogos funcionam no país. A decisão mais recente envolve alguns dos títulos mais populares do mundo — e pode afetar diretamente milhões de jogadores brasileiros.
Riot Games restringe acesso de menores a vários jogos no Brasil

A Riot Games anunciou que passará a bloquear o acesso de menores de 18 anos a vários de seus jogos no Brasil.
A mudança entra em vigor na próxima quarta-feira (18) e inclui títulos extremamente populares, como League of Legends, Wild Rift, Teamfight Tactics, Legends of Runeterra e o novo jogo de luta 2XKO.
Segundo a empresa, a decisão foi tomada para cumprir as novas exigências do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), atualizadas por uma lei sancionada em setembro de 2025.
Essas mudanças na legislação estabelecem regras mais rígidas para a proteção de menores em ambientes digitais, especialmente em relação a sistemas de monetização presentes em muitos jogos online.
O principal ponto da nova lei envolve as chamadas loot boxes, um tipo de mecânica muito comum em jogos modernos.
O problema das loot boxes nos jogos
As loot boxes funcionam como caixas virtuais que oferecem recompensas aleatórias aos jogadores.
Em muitos casos, essas caixas podem ser compradas com dinheiro real, permitindo que jogadores recebam itens como skins, personagens ou melhorias dentro do jogo.
Esse modelo de monetização se tornou extremamente popular na indústria de games nos últimos anos. No entanto, ele também passou a ser alvo de críticas de especialistas e autoridades.
Diversos estudos apontam que as loot boxes podem funcionar de maneira semelhante a sistemas de aposta, já que o jogador paga sem saber exatamente qual recompensa irá receber.
Por esse motivo, a nova legislação brasileira proibiu que jogos com esse tipo de sistema sejam acessados por crianças e adolescentes.
Como League of Legends e outros títulos da Riot dependem fortemente desse modelo de recompensas, a empresa decidiu elevar temporariamente a classificação indicativa desses jogos para 18 anos.
Isso significa que jogadores menores não poderão acessar essas plataformas até que os sistemas sejam adaptados para cumprir as novas regras.
Valorant permanece acessível para adolescentes
Entre os jogos da Riot, apenas um continuará disponível para menores de idade: Valorant.
O motivo é que o jogo de tiro não depende do sistema de loot boxes para sua progressão ou monetização.
Mesmo assim, adolescentes entre 12 e 17 anos só poderão acessar o jogo mediante autorização formal dos pais ou responsáveis.
Para isso, a Riot implementará um novo sistema de controle parental.
O processo funcionará da seguinte forma: o jogador menor de idade deverá informar o e-mail de um responsável. Em seguida, esse responsável receberá um link para autorizar o acesso por meio da plataforma de verificação da empresa.
Como funcionará a verificação de idade
Para garantir o cumprimento da nova legislação, a Riot também implementará um sistema obrigatório de verificação de idade para todos os jogadores no Brasil.
A empresa utilizará o serviço Kids Web Services (KWS) para validar a identidade dos usuários.
O processo será implementado em duas etapas.
A partir de segunda-feira (16), todos os jogadores com mais de 18 anos deverão confirmar sua idade ao entrar em suas contas.
Entre os métodos de verificação aceitos estão:
- número de CPF
- cartão de débito ou crédito
- documento de identidade escaneado
- biometria facial
Já na quarta-feira (18), as contas identificadas como pertencentes a menores de 18 anos serão automaticamente pausadas nos jogos restritos.
O que acontecerá com as contas dos jogadores
Apesar da restrição, a Riot Games informou que as contas dos jogadores não serão apagadas.
Todo o progresso acumulado, incluindo personagens, skins e itens comprados, continuará armazenado.
O acesso apenas ficará temporariamente congelado até que as regras do jogo sejam ajustadas para cumprir a legislação brasileira.
Segundo a empresa, existe um plano para adaptar os sistemas de monetização e segurança dos jogos ao longo dos próximos anos.
A expectativa é que os títulos possam retornar às classificações etárias anteriores até 2027.
Mesmo assim, quando isso acontecer, jogadores menores de idade ainda precisarão da autorização de seus pais ou responsáveis para acessar os jogos.
A mudança marca um momento importante na relação entre legislação e indústria de games, mostrando como novas regras digitais podem impactar diretamente plataformas com milhões de usuários.
[Fonte: Olhar Digital]