Por que o Brasil quer zerar tudo
Na última sexta-feira (14), o governo americano reduziu a tarifa inicial de 10% sobre carne e café.
Para o Brasil, a taxa caiu para 40%. Parece um passo positivo, mas não é — e o setor agropecuário enxergou um alerta.
Isso porque concorrentes diretos tiveram tarifas zeradas, criando vantagem competitiva imediata.
No caso do café, por exemplo, países como Colômbia e Vietnã entrariam no mercado norte-americano com custos menores, mesmo oferecendo produtos diferentes do café brasileiro.
Resultado: risco de perda de espaço num mercado em que o Brasil reina. Hoje, o país responde por um terço de todo o café importado pelos EUA, que compram 99% do que consomem.
A estratégia do Planalto para reverter o jogo
Segundo auxiliares, o governo brasileiro reforçará nas próximas conversas a necessidade de isenção total para os dois produtos.
Há expectativa de um novo encontro entre Lula e Trump em dezembro, nos Estados Unidos, desde que a Casa Branca dê o sinal verde.
O chanceler Mauro Vieira já apresentou formalmente a proposta, que agora passa por avaliação no governo americano. Internamente, o objetivo brasileiro é claro: garantir ainda este ano a suspensão ao menos parcial da tarifa de 50% originalmente imposta pelos EUA.
O que está em jogo nas próximas semanas
A disputa vai muito além de uma conversa bilateral. Carne e café representam bilhões em exportações e sustentam cadeias produtivas que movimentam empregos, logística e investimentos no país.
Para o Brasil, perder espaço nos EUA significa ampliar a concorrência global — e ceder terreno para países que já operam com custos menores.
Enquanto o governo busca a isenção total, produtores acompanham com apreensão. Nas próximas semanas, veremos até onde a diplomacia pode ir quando o assunto é proteger a força do agro brasileiro — e se o Brasil conseguirá, de fato, manter sua posição no mercado mais disputado do mundo.
[Fonte: CNN Brasil]