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“Problema com os Estados Unidos vai ser resolvido”, diz Lula após ligação com Trump

Durante o lançamento da nova fábrica da chinesa BYD na Bahia, o presidente brasileiro afirmou que o impasse comercial com os EUA caminha para uma solução e defendeu uma política externa equilibrada entre Washington e Pequim.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (9) que o “problema com os Estados Unidos vai ser resolvido”, em referência às tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. Segundo o petista, a tensão começou a ser superada após uma conversa telefônica com Donald Trump, realizada na última segunda-feira (6).

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© https://x.com/TrumpFrance

Graças a Deus, aquilo que parecia impossível, eu tive uma conversa com Trump na segunda-feira e acho que o problema com os Estados Unidos vai ser resolvido”, declarou Lula durante o lançamento da fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari, na Bahia.

O presidente afirmou que quer manter boas relações com todas as nações e destacou que o Brasil não pretende entrar em conflitos diplomáticos. “A gente quer estar bem com a China, com os Estados Unidos, com a Argentina, com o Uruguai. Não queremos estar mal com nenhum país”, afirmou.

De acordo com Lula, após a ligação, Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações comerciais. O político norte-americano já entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, segundo o presidente.

“Talvez comece a ter conversa a partir de agora e vamos ver se a gente consegue se acertar, porque o Brasil não quer briga com ninguém. Quer paz e amor. Quer crescer, se desenvolver. Não temos contencioso com nenhum país do mundo”, disse o petista em entrevista à Rádio Piatã.

Tarifaço e política externa “sem preferências”

O impasse com os Estados Unidos gira em torno das novas tarifas impostas a produtos brasileiros, que, segundo Lula, se baseiam em “argumentos falsos”. Ele criticou a postura de Washington, mas reforçou o desejo de resolver a disputa de maneira diplomática.

“Estamos tentando apresentar ao mundo um projeto de nação. Não temos preferência por países. O que queremos é uma relação estabilizada com o mundo. Defendemos o multilateralismo e não concordamos com os Estados Unidos em taxar produtos brasileiros com base em coisas que não eram verdadeiras”, declarou.

O Itamaraty confirmou em nota que a ligação entre Lula e Trump ocorreu nesta quinta-feira, e não na segunda, como o presidente havia dito inicialmente.

Relação com a China e o “novo caminho” brasileiro

No mesmo evento, Lula voltou a destacar a importância da parceria estratégica com a China, maior parceiro comercial do Brasil. Ele defendeu a continuidade das exportações de commodities, mas disse querer ampliar o foco para produtos com maior valor agregado.

“A gente não quer parar de exportar commodities, mas quer exportar inteligência, conhecimento, valor agregado. Por isso vamos continuar fortalecendo nossa relação com a China”, afirmou o presidente.

O líder brasileiro também reforçou sua amizade com o presidente chinês, Xi Jinping, e mandou um recado indireto aos Estados Unidos: “Eu me considero amigo do Xi Jinping, e ele se considera amigo do Brasil. Somos dois países importantes do Sul Global e não aceitamos que ninguém meta o dedo no nosso nariz. Queremos ser respeitados e tratados com decência.”

Entre potências e pragmatismo

A fala de Lula ocorre em meio a um momento delicado da diplomacia brasileira, que tenta equilibrar relações com as duas maiores potências do planeta. A BYD, gigante chinesa de carros elétricos, representa um investimento bilionário e simboliza o avanço da presença da China no setor industrial brasileiro — ao mesmo tempo em que os Estados Unidos pressionam por maior alinhamento político.

Para Lula, no entanto, a estratégia é clara: o Brasil deve ser um ator independente e cooperativo, capaz de dialogar com todos sem abrir mão de seus interesses. O telefonema com Trump, se confirmado, pode ser o primeiro passo para destravar as barreiras comerciais e restaurar a confiança entre Brasília e Washington.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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