O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia neste domingo (21) sua viagem para Nova York, onde participará da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, entre 22 e 24 de setembro. A presença do Brasil, tradicionalmente marcada pelo discurso de abertura, será reforçada por uma comitiva ministerial escolhida a dedo, em meio a tensões diplomáticas e restrições impostas por Washington.
Quem acompanha Lula
Seis ministros confirmaram presença: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Camilo Santana (Educação), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcia Lopes (Mulheres), Jader Barbalho (Cidades) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). A composição revela o desejo do governo de projetar no exterior suas prioridades em temas como transição climática, inclusão social, direitos das mulheres e valorização de povos originários.
As autorizações de viagem foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) neste fim de semana.
Agenda internacional

Lula deve se reunir com líderes globais para debater conflitos no Oriente Médio, especialmente a situação na Palestina, além de reforçar o papel do Brasil na agenda climática, tema central para a COP30, que será sediada em Belém, no Pará, em novembro.
Com isso, a viagem assume caráter de vitrine diplomática: ao mesmo tempo em que o país busca mediar discussões de paz, tenta firmar-se como protagonista ambiental no palco internacional.
Ministros barrados ou limitados
A composição da comitiva, no entanto, foi marcada por percalços. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desistiu da viagem após restrições impostas pelo governo de Donald Trump. Segundo Padilha, os EUA limitaram sua circulação a poucos quarteirões em Nova York, inviabilizando agendas em Washington.
Em carta enviada à Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), ele classificou a medida como descumprimento do Acordo de Sede da ONU.
Já o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, chegou a ter o visto norte-americano suspenso em agosto. Apesar de a restrição ter sido posteriormente revogada, ele optou por não acompanhar Lula em Nova York.
O que está em jogo

A participação de Lula na Assembleia da ONU será uma oportunidade para reafirmar bandeiras históricas do Brasil: defesa da multipolaridade, combate às mudanças climáticas e promoção da paz. Ao mesmo tempo, expõe as dificuldades práticas da diplomacia brasileira em meio a atritos com os EUA e restrições de circulação impostas a integrantes do governo.
O discurso de Lula deve buscar equilibrar críticas ao unilateralismo com a defesa de um sistema multilateral mais justo, capaz de refletir os interesses de países em desenvolvimento — uma estratégia que reforça sua tentativa de reposicionar o Brasil como voz relevante na governança global.
[ Fonte: CNN Brasil ]