Ao ser questionado por jornalistas, Trump afirmou que a Venezuela estaria enviando criminosos e drogas para os EUA e que “isso não é aceitável”. Sem negar nem confirmar um plano para destituir Maduro, o republicano reforçou críticas às eleições venezuelanas e relacionou o governo vizinho ao tráfico internacional, deixando em alerta toda a região.
As declarações de Donald Trump reacenderam a polêmica sobre o destino da Venezuela e aumentaram as incertezas diplomáticas na América Latina. O republicano, que voltou à presidência com discurso duro, adotou tom beligerante ao ser perguntado sobre Caracas e sobre a permanência de Nicolás Maduro no poder.
A resposta de Trump
Ao ser questionado sobre possíveis ataques militares, Trump afirmou: “Vamos ver o que acontece. A Venezuela está enviando para cá membros de gangues, traficantes e drogas. Não é aceitável”.
Indagado sobre a hipótese de “livrar-se” de Maduro, respondeu de forma vaga: “Não é uma ‘opção’ ou ‘não opção’. Vamos ver”. Ele ainda comparou a eleição venezuelana a sua própria derrota em 2020 para Joe Biden, chamando ambas de corruptas.
Contradições recentes
Em 5 de setembro, o presidente havia negado planos de derrubar Maduro, mesmo criticando a legitimidade das eleições. “Não estamos falando sobre isso”, disse na ocasião, embora tenha classificado o pleito como “muito estranho”. Apesar disso, os movimentos militares dos EUA no Caribe mantêm o clima de tensão.
A presença militar no Caribe
Atualmente, uma frota de navios de guerra norte-americanos e caças F-35 patrulham as águas próximas à Venezuela. Na última semana, os EUA abateram uma embarcação supostamente venezuelana carregada de drogas, matando 11 pessoas. Segundo Trump, o barco pertencia à facção criminosa Tren de Aragua.
A justificativa oficial é o combate ao tráfico internacional, mas Maduro acusa Washington de usar o argumento para interferir na soberania venezuelana e tentar se apropriar do petróleo do país.

Tráfico classificado como terrorismo
O Pentágono recebeu instruções para intensificar ações na América Latina. Parte dessa estratégia inclui classificar cartéis ligados ao narcotráfico como organizações terroristas, o que dá margem legal para operações militares em outros países. Entre eles está o cartel Los Soles, apontado pelos EUA como comandado pelo próprio Maduro.
Reações de Caracas
O governo venezuelano denuncia as movimentações militares norte-americanas como uma ameaça direta de invasão. Maduro convocou a população para resistir ao que chamou de “luta armada contra agressões externas” e reforçou acusações de que Washington quer tomar o controle das reservas de petróleo do país.
As declarações de Trump e os movimentos militares reforçam a escalada de tensões entre EUA e Venezuela. Enquanto o republicano deixa aberta a possibilidade de intervenção, Caracas denuncia tentativas de desestabilização. O futuro das relações bilaterais segue incerto, mas o risco de conflito cresce em meio à retórica agressiva de ambos os lados.
Fonte: Metrópoles