Uma nova pesquisa divulgada pela agência Reuters em parceria com o instituto Ipsos revelou que a maioria dos americanos acredita que o presidente Donald Trump tem se tornado “errático” com a idade. O levantamento foi publicado no mesmo dia em que o republicano se preparava para discursar diante do Congresso no tradicional pronunciamento anual sobre o Estado da União.
Segundo a sondagem, 61% dos entrevistados concordam com a afirmação de que Trump está mais imprevisível com o avanço da idade. A percepção varia de acordo com a filiação partidária, mas atravessa diferentes grupos políticos.
Percepção varia entre partidos, mas preocupação é ampla

Entre democratas registrados, 89% afirmam que o presidente se tornou errático. Entre independentes, o número chega a 64%. Já entre republicanos, 30% compartilham dessa visão — um percentual menor, mas ainda significativo dentro da própria base do presidente.
Ao mesmo tempo, a pesquisa indica uma leve melhora na popularidade de Trump, que atualmente gira em torno de 40%. O índice representa dois pontos percentuais a mais do que no início de fevereiro, mas ainda está sete pontos abaixo do registrado quando ele retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, para seu segundo mandato.
O levantamento ouviu 4.638 adultos em todo o país por meio de questionário online e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Idade da classe política também entra em debate
A pesquisa também abordou a percepção dos americanos sobre a idade dos líderes em Washington. Para 79% dos entrevistados, os funcionários eleitos na capital federal são “velhos demais para representar a maioria dos americanos”.
Atualmente, a idade média no Senado é de aproximadamente 64 anos, enquanto na Câmara dos Representantes gira em torno de 58 anos.
Entre os democratas, 58% afirmaram que o líder do partido no Senado, Chuck Schumer, de 75 anos, é velho demais para ocupar o cargo. Outros nomes frequentemente citados no debate sobre envelhecimento da classe política incluem Bernie Sanders, de 84 anos, e o senador republicano Chuck Grassley, de 92.
O tema da idade, portanto, não se restringe a um único partido, mas reflete uma preocupação mais ampla sobre renovação política.
Comparações com o governo anterior
Quando Trump tomou posse para seu segundo mandato, tornou-se o presidente mais velho da história dos Estados Unidos a assumir o cargo — superando o recorde anterior, que pertencia a Joe Biden.
O mandato de Biden foi marcado por questionamentos sobre sua condição física e mental, especialmente após um desempenho considerado fraco em um debate eleitoral em Atlanta, o que contribuiu para que desistisse da tentativa de reeleição.
No caso de Trump, sua intensa exposição pública, discursos frequentemente fora do roteiro e uso constante das redes sociais têm alimentado discussões sobre seu estilo e estabilidade. Episódios recentes, como críticas a membros da Suprema Corte e declarações controversas envolvendo parlamentares democratas, reforçaram a polarização em torno de sua figura.
Avaliação sobre capacidade mental caiu

Apesar das críticas, 45% dos entrevistados ainda descrevem Trump como “mentalmente afiado e capaz de enfrentar desafios”. Em setembro de 2023, esse índice era de 54%, indicando queda na percepção positiva ao longo do tempo.
Entre republicanos, 81% continuam considerando o presidente mentalmente capaz. Já entre democratas, o percentual caiu de 29% para 19% em três anos. Entre independentes, a redução foi de 53% para 36%.
A Casa Branca não respondeu aos questionamentos da Reuters sobre os resultados da pesquisa.
O debate sobre idade, capacidade e liderança deve ganhar ainda mais destaque à medida que o calendário político avança. Em um país cada vez mais polarizado, a discussão não envolve apenas ideologia, mas também a renovação — ou não — de sua classe dirigente.
[ Fonte: El País ]