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Ciência

Máquinas ou pesos livres? Estudos questionam a ideia de que barras fazem mais músculos

Uma revisão de 13 estudos e um experimento com homens treinados não encontraram uma superioridade geral dos pesos livres sobre as máquinas. Os resultados ajudam a separar três objetivos frequentemente confundidos na academia: aumentar o tamanho dos músculos, melhorar a força em exercícios específicos e desenvolver o desempenho esportivo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Na academia, barras e halteres costumam carregar uma reputação de treino mais completo. As máquinas, por sua vez, às vezes aparecem como uma alternativa secundária. Mas essa hierarquia não se sustenta automaticamente quando os pesquisadores comparam resultados. Dois trabalhos publicados em 2023, retomados agora no debate sobre musculação, indicam que a escolha do equipamento precisa acompanhar o objetivo do praticante, sem pressupor um vencedor universal.

Para ganhar músculo, a revisão não encontrou vantagem geral

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© pexels

Uma revisão sistemática com metanálise, publicada na BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, reuniu 13 estudos e 1.016 participantes. Os pesquisadores avaliaram programas de pelo menos seis semanas em adultos.

O conjunto não mostrou diferença estatisticamente significativa entre máquinas e pesos livres no crescimento muscular. Entretanto, apenas cinco dos estudos incluídos avaliaram diretamente a hipertrofia, nome dado ao aumento do tamanho dos músculos.

A análise também não identificou uma vantagem geral nas comparações de força dinâmica, força isométrica e salto com contramovimento. Esses resultados enfraquecem a ideia de que a trajetória guiada das máquinas necessariamente limita os ganhos. 

A força melhora de acordo com o exercício praticado

Uma diferença importante apareceu quando o teste reproduzia a modalidade de treinamento. Quem treinou com pesos livres melhorou mais nas avaliações realizadas com pesos livres.

Nos testes em máquinas, houve uma tendência favorável a quem treinou nelas, mas esse resultado não atingiu o limite estatístico adotado pelos pesquisadores.

A explicação envolve a especificidade: praticar determinado movimento ajuda a desenvolver a capacidade de executá-lo. Portanto, melhorar mais em um teste com barra não demonstra, por si só, uma superioridade em todas as formas de força.

Uma metanálise anterior sobre máquinas e pesos livres encontrou um padrão semelhante. Quando a avaliação utilizava um dispositivo neutro, os ganhos de força eram comparáveis. A modalidade usada no teste influenciava qual grupo parecia levar vantagem. 

O desempenho esportivo também exige uma leitura cuidadosa

O segundo trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de Múrcia, acompanhou 34 homens com experiência em musculação durante oito semanas. Metade treinou com barras; a outra metade utilizou máquinas.

No experimento sobre desempenho e estrutura muscular, os grupos seguiram condições equivalentes de intensidade, fadiga durante as séries e recuperação. Os exercícios incluíram agachamento, supino, remada e desenvolvimento de ombros.

Ambos melhoraram de maneira semelhante o salto vertical e a capacidade anaeróbica das pernas. Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre os grupos nas variáveis esportivas ou estruturais avaliadas.

Isso não significa que todas as medidas melhoraram. A capacidade de sprint e determinados indicadores da arquitetura muscular não apresentaram mudanças significativas em nenhum grupo. Além disso, uma melhora observada apenas dentro de um grupo não comprova que ele superou o outro. 

O objetivo importa mais que a disputa entre equipamentos

Biceps Gimnasio
© Luke Witter – Unsplash

Os resultados permitem uma conclusão prática: máquinas podem fazer parte de um treino eficaz, sem ocupar uma posição inferior por definição. Uma trajetória guiada e uma carga livre representam maneiras diferentes de executar exercícios.

Ainda assim, ausência de diferença estatística não garante resultados idênticos para todas as pessoas. O experimento durou oito semanas e incluiu somente homens treinados, o que limita sua aplicação a outros públicos.

Para quem busca força em um movimento específico, faz sentido praticar esse movimento. Para hipertrofia, a evidência analisada permite considerar preferências e objetivos ao escolher os equipamentos, sem transformar barras ou máquinas em requisito obrigatório.

 

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