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Ciência

Médico brasileiro realiza cirurgia recorde a 12 mil km de distância e entra no Guinness Book

Um médico em Curitiba, um paciente no Kuwait e um robô no meio do caminho. A combinação improvável rendeu ao Brasil um feito histórico: a telecirurgia mais distante do mundo, agora reconhecida pelo Guinness Book. A distância exata entre o cirurgião e o paciente? Nada menos que 12.034,92 quilômetros.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O procedimento aconteceu em 3 de outubro e conectou o Hospital da Cruz Vermelha, em Curitiba, ao Hospital Jaber Al-Ahmad, no Kuwait. O responsável pela façanha foi o cirurgião brasileiro Leandro Totti, que realizou o procedimento com total precisão, apesar da separação continental. O recorde anterior era entre Casablanca (Marrocos) e Xangai (China).

E não foi um feito isolado: no mesmo dia, uma equipe de médicos do Kuwait operou um paciente local a partir do Brasil, marcando a primeira telecirurgia robótica em dupla direção do mundo — Kuwait–Brasil e Brasil–Kuwait. Segundo o Guinness, “ambas as cirurgias foram concluídas com sucesso e segurança, estabelecendo um novo padrão global em cirurgia robótica remota”.

O cérebro brasileiro por trás da ideia

Médico brasileiro realiza cirurgia recorde a 12 mil km de distância e entra no Guinness
© Pexels

O projeto foi idealizado pelo médico Marcelo Loureiro, fundador da Scolla Centro de Treinamento Cirúrgico, referência em procedimentos minimamente invasivos. Ele ressalta que o título mundial é simbólico, mas o real objetivo é outro: mostrar que o Brasil domina essa tecnologia.

“Como somos um país de dimensões continentais, a telemedicina é essencial. Um cirurgião em Curitiba pode atender pacientes no Norte ou Nordeste sem sair do hospital”, explica Loureiro.

A operação escolhida foi a correção de uma hérnia inguinal, considerada simples e de baixo risco. A decisão foi estratégica: o foco era provar a viabilidade e segurança do procedimento remoto, não a complexidade da técnica.

Como a cirurgia funcionou na prática

O time brasileiro utilizou o robô cirúrgico MP1000, da Edge Medical, avaliado em cerca de R$ 10 milhões. A transmissão foi feita por fibra óptica, com suporte da Ligga Telecom, garantindo baixa latência (tempo mínimo de atraso na resposta) e conexão estável entre os dois continentes — algo crucial quando cada milissegundo conta.

A preparação durou dois anos e incluiu testes rigorosos. Em agosto, antes da operação oficial, os médicos removeram a vesícula de um suíno localizado em Cascavel, no interior do Paraná, sendo controlados à distância de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba.

O futuro da medicina já começou

Com o sucesso da cirurgia, o Brasil se coloca entre os líderes em cirurgia robótica e telemedicina, abrindo caminho para atendimentos complexos em locais remotos. O paciente, aliás, teve recuperação completa em 11 dias, sem dores ou restrições.

O feito mostra que o futuro da medicina — antes coisa de ficção científica — já está em prática. E o que parecia impossível há poucos anos agora cabe em uma tela, em tempo real, a mais de 12 mil quilômetros de distância.

[Fonte: Jovem pan]

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