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Tecnologia

Megaataque hacker abala sistema financeiro brasileiro e levanta alerta nacional

Com prejuízos que podem chegar a R$ 800 milhões, um ataque cibernético atingiu ao menos seis instituições financeiras no Brasil. O episódio, um dos mais graves já registrados, revela vulnerabilidades críticas no ecossistema digital bancário e mobiliza o Banco Central, a Polícia Federal e especialistas em segurança.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Na última quarta-feira (2), um ataque hacker contra a infraestrutura de uma empresa que conecta bancos ao sistema do Banco Central causou forte comoção no mercado financeiro. O caso, que já é tratado como um dos maiores crimes cibernéticos do setor no Brasil, revelou falhas graves na proteção de credenciais e movimentações digitais. As autoridades investigam o episódio, enquanto especialistas apontam os riscos sistêmicos e operacionais desse tipo de invasão.

O elo vulnerável: o papel da C&M Software

A C&M Software é uma empresa brasileira de tecnologia especializada na conexão de instituições financeiras menores ao Banco Central e ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SBP), incluindo o sistema PIX. Com atuação nacional e internacional, está homologada pelo BC desde 2001. Seu papel é ser a ponte entre bancos e as estruturas oficiais de operação financeira.

O que se sabe sobre o ataque

A empresa comunicou ao BC que criminosos acessaram suas infraestruturas usando credenciais legítimas de clientes — como logins e senhas — para se infiltrar de forma fraudulenta nos sistemas. Esse acesso permitiu a entrada em contas de reserva de, pelo menos, seis instituições financeiras, com a suspeita de que valores expressivos tenham sido desviados. Fontes estimam perdas em torno de R$ 800 milhões, mas o BC ainda não confirmou oficialmente o montante.

Como os criminosos agiram

O ataque seguiu um padrão conhecido como “ataque à cadeia de suprimentos”, quando criminosos exploram fragilidades nos sistemas de terceiros que prestam serviços a bancos ou grandes instituições. Segundo especialistas, a ação foi dividida em quatro fases:

  • Comprometimento inicial: os invasores teriam usado engenharia social para enganar funcionários e obter acesso a credenciais privilegiadas;

  • Reconhecimento interno: com o ambiente já comprometido, exploraram sistemas, coletaram senhas e mapearam permissões;

  • Acesso aos sistemas de produção: obtiveram domínio sobre contas de liquidação e ambientes financeiros sensíveis;

  • Execução rápida: realizaram transações fora do horário comercial e converteram valores em criptoativos para dificultar o rastreamento.

Quais instituições foram atingidas

Até o momento, o Banco Central não divulgou a lista completa de afetados. A BMP, uma fintech que utiliza os serviços da C&M Software, confirmou ter sido uma das vítimas. Reportagens também citam a Credsystem e o Banco Paulista como instituições impactadas, mas nenhuma confirmação oficial foi dada até agora.

Impactos além do dinheiro

Especialistas apontam que, além das perdas financeiras, o ataque trouxe três grandes consequências:

  • Reputacional, com o desgaste da imagem de empresas afetadas;

  • Sistêmico, ao expor falhas na gestão de acessos privilegiados;

  • Operacional, ao escancarar a urgência de revisar políticas de segurança.

Embora o BC afirme que dados de clientes não foram comprometidos, o risco à confiança no sistema financeiro é real.

E agora? Quais os próximos passos

Logo após o ataque, o BC determinou o desligamento do acesso das instituições afetadas aos sistemas da C&M Software. A suspensão total foi substituída, no dia seguinte, por uma suspensão parcial, após a adoção de medidas de contenção pela empresa.

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso, e a Polícia Civil de São Paulo também conduz uma apuração paralela, com foco na identificação dos responsáveis e no rastreamento dos valores desviados. Como o caso envolve múltiplas instituições, a atenção agora também se volta aos órgãos reguladores, como o Conselho Monetário Nacional.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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