O mercado regulado de apostas de quota fixa começou a funcionar no Brasil em outubro de 2024 e já trouxe números expressivos. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em parceria com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), retirou mais de 18 mil sites ilegais do ar. Mas o desafio vai além de apagar domínios: o setor irregular se reinventa com facilidade, exigindo múltiplas frentes de atuação.
Bloqueio de sites e novas estratégias
No primeiro semestre de 2025, foram derrubados 15 mil domínios que operavam sem autorização. Hoje, 78 empresas têm aval oficial para atuar no país.
Apesar disso, especialistas ressaltam que o simples bloqueio de páginas não é suficiente, já que novas plataformas podem ser criadas em questão de horas. Por isso, a SPA estabeleceu três linhas de combate: retirada de sites ilegais, interrupção do fluxo financeiro das bets irregulares e fiscalização de conteúdo publicitário em conjunto com empresas de tecnologia.
O combate ao fluxo financeiro
O trabalho de monitoramento também atinge bancos e instituições de pagamento. No primeiro semestre, 24 instituições financeiras comunicaram operações suspeitas e encerraram 255 contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao mercado ilegal. Outras 13 instituições receberam notificações da SPA e fecharam 45 contas de empresas que atuavam fora da lei.
Essa frente é considerada crucial porque cortar o acesso ao sistema financeiro enfraquece diretamente a atividade das bets clandestinas.
Impacto econômico do mercado regulado
Enquanto os sites ilegais são combatidos, o mercado autorizado registra movimentações bilionárias. Nos primeiros seis meses de 2025, o gross gaming revenue (GGR) das empresas legalizadas foi de R$ 17,4 bilhões. Esse indicador mede o total apostado, descontados os prêmios pagos.
Segundo os dados, 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas no período, com gasto médio de R$ 983 por semestre — cerca de R$ 164 por mês por usuário ativo.

Aposta na saúde pública e no consumo responsável
Além do aspecto econômico, o governo enxerga na regulamentação uma oportunidade de reduzir danos sociais. De acordo com interlocutores, os problemas de vício em apostas cresceram justamente no período em que o setor era desregulado. Agora, a legalização permite impor limites e criar mecanismos de prevenção.
Entre as ações em andamento estão: cursos para profissionais do SUS lidarem com dependência em jogos, criação de um sistema de autoexclusão que permita ao usuário se descadastrar de todas as casas de aposta de uma vez, e testes de propensão à ludopatia disponíveis tanto nos sites das bets quanto no portal do Ministério da Fazenda.
O futuro do setor
Com a supervisão da SPA, Ministério da Fazenda, Banco Central e órgãos de saúde, o Brasil busca construir um mercado de apostas mais seguro, transparente e controlado. A regulamentação não elimina os riscos, mas cria ferramentas para reduzir abusos e oferecer mais proteção ao consumidor.
Se, por um lado, a repressão aos sites ilegais continua intensa, por outro, cresce a aposta em educação, monitoramento e políticas públicas para que o entretenimento não se transforme em um problema social de grandes proporções.
Fonte: Metrópoles