Entre janeiro e outubro de 2025, a Meta intensificou sua guerra contra o cibercrime e desmantelou redes de golpistas que operavam em várias regiões da Ásia e do Oriente Médio. A empresa afirma que a ofensiva é parte de um esforço global para reduzir o número de fraudes financeiras e de identidade que circulam em suas plataformas.
A maior operação de limpeza digital da Meta

A Meta anunciou ter detectado e removido cerca de 8 milhões de contas fraudulentas no Facebook e no Instagram desde o início de 2025. Segundo a empresa, essas contas estavam ligadas a esquemas de roubo de identidade, falsos atendimentos ao cliente, pirâmides financeiras e golpes com criptomoedas.
Os resultados, divulgados em comunicado oficial, fazem parte de um programa global de segurança digital. As operações mais ativas estavam associadas a organizações criminosas com base em Mianmar, Laos, Camboja, Emirados Árabes Unidos e Filipinas — países onde se multiplicam os chamados “centros de scam”, verdadeiras fábricas de golpes digitais que exploram trabalhadores e manipulam milhões de vítimas ao redor do mundo.
Além disso, a empresa removeu mais de 21 mil páginas falsas que se passavam por bancos, companhias aéreas e grandes marcas para obter dados de login e informações bancárias. E, em uma ação paralela, suspendeu mais de 6 milhões de contas de WhatsApp utilizadas em golpes semelhantes.
Os golpes mais comuns detectados
A Meta também detalhou os principais tipos de fraude detectados em suas plataformas nos últimos meses. Os mais frequentes incluem:
- Falsos investimentos em criptomoedas: perfis com fotos e nomes de “investidores de sucesso” prometem lucros rápidos e redirecionam vítimas para sites fraudulentos.
- Atendimento ao cliente falso: golpistas respondem a comentários de perfis oficiais de empresas, fingindo ser representantes de bancos, companhias aéreas ou lojas on-line, e induzem o usuário a enviar dados sigilosos.
- Serviços inexistentes de alívio de dívidas ou programas sociais: voltados principalmente a idosos, com falsas promessas de restituição de valores ou benefícios governamentais.
- Perfis falsos de órgãos oficiais: páginas que imitam entidades como o FBI, Interpol ou “centros de recuperação de fundos”, usadas para aplicar golpes em vítimas de fraudes anteriores.
Segundo a Meta, muitos desses esquemas combinam engenharia social, inteligência artificial e anúncios pagos para parecerem legítimos, tornando mais difícil para o usuário identificar o golpe.
Nova geração de ferramentas de segurança
Para enfrentar essa nova onda de fraudes, a Meta anunciou atualizações de segurança em todas as suas plataformas. As principais novidades são:
- WhatsApp: alertas automáticos quando um usuário tenta compartilhar a tela durante uma videochamada com um contato desconhecido — uma técnica comum usada por criminosos para capturar códigos de verificação e senhas.
- Messenger: um sistema experimental de detecção avançada de golpes, que identifica mensagens suspeitas e pode acionar a IA da Meta para analisar conversas recentes em busca de indícios de fraude.
- Facebook e Instagram: uma nova Revisão de Segurança integrada, que recomenda trocas de senha, uso de autenticação biométrica e revisão de dispositivos conectados.
- WhatsApp Reforçado: ampliação da Revisão de Privacidade, que agora permite definir quem pode adicionar o usuário a grupos e limitar o acesso ao número de telefone.
O desafio de conter o cibercrime global

De acordo com especialistas, o combate da Meta é parte de uma tendência mais ampla de plataformas digitais tentando conter o crescimento das fraudes online, especialmente em países emergentes.
Os chamados “centros de scam” se tornaram uma indústria multibilionária que mescla tráfico humano, extorsão e golpes financeiros em escala global. As medidas da Meta, embora importantes, representam apenas um passo em uma batalha cada vez mais complexa.
Um alerta para os usuários
A empresa reforçou que a primeira linha de defesa ainda é o próprio usuário. “Desconfiar de promessas de ganhos rápidos, checar perfis oficiais e nunca compartilhar códigos de verificação são atitudes essenciais para evitar cair em fraudes”, destacou a Meta em seu comunicado.
A gigante das redes sociais também confirmou que continuará cooperando com autoridades internacionais para rastrear as redes criminosas por trás dos golpes.
Enquanto isso, a mensagem é clara: o cibercrime se modernizou — e o golpe, agora, pode estar a um clique de distância.
[ Fonte: TN ]