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Planeta em alerta máximo: ONU alerta que metas do Acordo de Paris estão fora do alcance

A poucos dias da COP30, a Organização das Nações Unidas fez o alerta mais duro desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015: nenhum dos 45 indicadores climáticos globais está próximo de atingir os objetivos definidos há quase uma década. A principal meta — conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C — não será alcançada, afirma o secretário-geral António Guterres.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um planeta aquecendo além do previsto

O relatório “Estado da Ação Climática 2025”, divulgado em Genebra, foi direto: o mundo está falhando em todas as frentes. Segundo dados do observatório europeu Copernicus, a temperatura média global já é 1,4°C superior à da era pré-industrial, e a tendência é ultrapassar 1,5°C antes de 2030 — um marco simbólico e científico crucial.

Esse limite, definido no Acordo de Paris, tinha como objetivo evitar os piores impactos climáticos: secas extremas, colapso de ecossistemas marinhos e aceleração do degelo polar. Mas, com o consumo ainda alto de petróleo, gás e carvão, o planeta se aproxima rapidamente de um ponto sem retorno.

“Nosso planeta está à beira do abismo”, declarou Guterres, pedindo que os governos apresentem novos planos climáticos ousados antes da conferência em Belém (PA), marcada para 10 a 21 de novembro.

A urgência de cortar emissões — e rápido

Planeta em alerta máximo: ONU alerta que metas do Acordo de Paris estão fora do alcance
© Pexels

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões precisam cair 60% até 2035 em relação aos níveis de 2019 para haver uma chance real de manter o aquecimento em 1,5°C.

Para isso, Guterres apelou por um financiamento climático global de US$ 1,3 trilhão anuais (cerca de R$ 7 trilhões) destinado aos países em desenvolvimento até 2035. “A ciência nos diz que precisamos de muito mais ambição”, reforçou.

Além disso, o secretário-geral fez um alerta contra fake news climáticas e greenwashing — práticas de desinformação e marketing enganoso de empresas que se dizem sustentáveis. “Sem ciência e dados confiáveis, o mundo jamais teria compreendido a ameaça existencial das mudanças climáticas”, afirmou.

O fracasso global do Acordo de Paris

O relatório mostra que o progresso global está muito aquém das metas. Entre os piores desempenhos estão:

  • A lentidão na eliminação da energia a carvão, principal fonte de gases do efeito estufa.
  • O avanço quase nulo na descarbonização da indústria do aço e do transporte.

E o aumento contínuo das emissões de carros a combustão.

O desmatamento segue responsável por mais de 10% das emissões globais e é apontado como uma das maiores ameaças à biodiversidade.

Em vez de melhorar, alguns indicadores regrediram desde o último levantamento. Segundo Marco Moraes, autor de Planeta Hostil, “as pessoas já estão aceitando 2°C ou 2,5°C até 2050, e isso tornará o planeta muito mais difícil para se viver. As mudanças não são mais evitáveis — precisamos nos adaptar e agir com urgência.”

Financiamento cresce, mas ainda é insuficiente

Há um ponto positivo, ainda que tímido. O financiamento privado para ações climáticas cresceu de US$ 870 bilhões para US$ 1,3 trilhão entre 2022 e 2023, impulsionado por empresas, fundos e doadores, principalmente na China e na Europa Ocidental.

Esse avanço fez o relatório reclassificar o indicador de “muito longe do caminho” para apenas “fora do caminho” — o que mostra melhora, mas ainda distante do necessário para reverter o quadro.

Mesmo com esse aumento, os recursos públicos e multilaterais continuam muito abaixo do exigido para cumprir o Acordo de Paris.

O tempo está acabando

A COP30, que será realizada em Belém, carrega um peso simbólico e prático: tentar resgatar a confiança global no acordo e reunir os países em torno de compromissos reais de transição energética.

Mas o cenário é desanimador. A combinação de interesses econômicos, crises políticas e dependência de combustíveis fósseis ainda bloqueia o avanço de medidas concretas.

“Os próximos 15 anos serão decisivos”, alerta Moraes. “Se o aquecimento passar de 2°C, entramos em uma era de impactos irreversíveis — e nenhum país estará a salvo.”

Um futuro à beira do colapso climático

A mensagem da ONU é clara: o mundo não está apenas atrasado, está indo na direção errada. A cada ano, as metas do Acordo de Paris parecem mais distantes — e o planeta mais quente, mais extremo e menos habitável.

Enquanto líderes discutem, as temperaturas quebram recordes, os oceanos fervem e florestas viram cinzas. E talvez, quando a COP30 começar em Belém, o grande desafio não seja mais “salvar o planeta”, mas tentar salvar o que ainda resta dele.

[Fonte: Correio Braziliense]

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