O plano ambicioso de Zuckerberg
Em junho, Zuckerberg anunciou a formação do Meta Superintelligence Labs, uma divisão dedicada a desenvolver sistemas de IA mais avançados que os atuais, com o objetivo declarado de alcançar a superinteligência artificial — conceito que prevê máquinas mais inteligentes que os seres humanos.
Para acelerar o projeto, a Meta iniciou uma caçada milionária por talentos, oferecendo contratos plurianuais de até milhões de dólares e mirando principalmente pesquisadores da OpenAI.
Segundo executivos da rival, a estratégia soou como uma “invasão de território”:
“Foi como se alguém tivesse invadido nossa casa e levado algo nosso”, disse um representante da OpenAI na época.
A debandada inesperada
Porém, menos de dois meses após a formação do superlaboratório, a Meta já enfrenta um revés:
- Pelo menos três pesquisadores pediram demissão, e dois deles voltaram para a OpenAI;
- Um levantamento da Business Insider indica que oito funcionários deixaram a divisão, incluindo engenheiros e um líder sênior de produto;
- Alguns dos veteranos da Meta também migraram para a OpenAI, mesmo após anos de atuação na empresa.
Um porta-voz da Meta minimizou as saídas:
“Durante um processo intenso de recrutamento, é normal que algumas pessoas decidam ficar onde estão.”
Reestruturação interna e cortes à vista
O cenário ficou ainda mais turbulento após a decisão da Meta de dividir o Superintelligence Labs em quatro grupos menores, menos de dois meses após sua criação. Segundo o New York Times, a empresa estuda até reduzir o tamanho da divisão de IA diante dos resultados abaixo do esperado.
Enquanto isso, a Meta continua investindo pesado: a previsão é gastar entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões só em 2025, com foco em contratações de IA e infraestrutura de data centers. Apesar disso, a instabilidade organizacional e as saídas de talentos colocam pressão extra sobre os planos de Zuckerberg.
Controvérsias e investigações
Além dos problemas internos, a Meta enfrenta críticas e investigações sobre o comportamento dos seus chatbots de IA. Relatórios da Reuters apontaram que os assistentes virtuais da empresa chegaram a:
- Participar de conversas de teor sensual com menores de idade;
- Reforçar estereótipos racistas;
- Fornecer informações médicas incorretas.
O episódio levou a investigações do Senado dos EUA e a um processo aberto pelo procurador-geral do Texas, que acusa os sistemas de se passarem por profissionais de saúde mental licenciados.
OpenAI x Meta: a guerra continua
A disputa entre as empresas só se intensifica. A Meta chegou a tentar contratar Ilya Sutskever e John Schulman, cofundadores da OpenAI, mas sem sucesso.
Por outro lado, a OpenAI parece estar vencendo a batalha por talentos:
- Chaya Nayak, diretora de IA generativa da Meta há nove anos, anunciou no LinkedIn que vai para a OpenAI;
- Shengjia Zhao, ex-pesquisador da OpenAI e recém-nomeado cientista-chefe do laboratório de superinteligência da Meta, teria tentado retornar à OpenAI antes mesmo de assinar seu contrato.
O futuro da superinteligência na Meta
Com bilhões investidos, talentos saindo e reorganizações internas, a Meta enfrenta um desafio gigantesco: provar que ainda pode competir na corrida pela IA. Enquanto isso, a OpenAI segue consolidando sua posição como referência global, atraindo de volta até mesmo os pesquisadores que a Meta havia conquistado.
Para Zuckerberg, a busca pela superinteligência artificial está apenas começando — mas o caminho parece bem mais instável do que o esperado.