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Tecnologia

Meta perde talentos de IA dois meses após criação do superlaboratório de Zuckerberg

A corrida pela superinteligência artificial está longe de ser tranquila para a Meta. Apenas dois meses após anunciar a criação do Meta Superintelligence Labs, laboratório de pesquisa criado por Mark Zuckerberg para liderar a próxima geração da IA, a empresa já enfrenta uma fuga de talentos que ameaça os planos de competir com a OpenAI.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O plano ambicioso de Zuckerberg

Em junho, Zuckerberg anunciou a formação do Meta Superintelligence Labs, uma divisão dedicada a desenvolver sistemas de IA mais avançados que os atuais, com o objetivo declarado de alcançar a superinteligência artificial — conceito que prevê máquinas mais inteligentes que os seres humanos.

Para acelerar o projeto, a Meta iniciou uma caçada milionária por talentos, oferecendo contratos plurianuais de até milhões de dólares e mirando principalmente pesquisadores da OpenAI.

Segundo executivos da rival, a estratégia soou como uma “invasão de território”:

“Foi como se alguém tivesse invadido nossa casa e levado algo nosso”, disse um representante da OpenAI na época.

A debandada inesperada

Porém, menos de dois meses após a formação do superlaboratório, a Meta já enfrenta um revés:

  • Pelo menos três pesquisadores pediram demissão, e dois deles voltaram para a OpenAI;

  • Um levantamento da Business Insider indica que oito funcionários deixaram a divisão, incluindo engenheiros e um líder sênior de produto;

  • Alguns dos veteranos da Meta também migraram para a OpenAI, mesmo após anos de atuação na empresa.

Um porta-voz da Meta minimizou as saídas:

“Durante um processo intenso de recrutamento, é normal que algumas pessoas decidam ficar onde estão.”

Reestruturação interna e cortes à vista

O cenário ficou ainda mais turbulento após a decisão da Meta de dividir o Superintelligence Labs em quatro grupos menores, menos de dois meses após sua criação. Segundo o New York Times, a empresa estuda até reduzir o tamanho da divisão de IA diante dos resultados abaixo do esperado.

Enquanto isso, a Meta continua investindo pesado: a previsão é gastar entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões só em 2025, com foco em contratações de IA e infraestrutura de data centers. Apesar disso, a instabilidade organizacional e as saídas de talentos colocam pressão extra sobre os planos de Zuckerberg.

Controvérsias e investigações

Além dos problemas internos, a Meta enfrenta críticas e investigações sobre o comportamento dos seus chatbots de IA. Relatórios da Reuters apontaram que os assistentes virtuais da empresa chegaram a:

  • Participar de conversas de teor sensual com menores de idade;

  • Reforçar estereótipos racistas;

  • Fornecer informações médicas incorretas.

O episódio levou a investigações do Senado dos EUA e a um processo aberto pelo procurador-geral do Texas, que acusa os sistemas de se passarem por profissionais de saúde mental licenciados.

OpenAI x Meta: a guerra continua

A disputa entre as empresas só se intensifica. A Meta chegou a tentar contratar Ilya Sutskever e John Schulman, cofundadores da OpenAI, mas sem sucesso.

Por outro lado, a OpenAI parece estar vencendo a batalha por talentos:

  • Chaya Nayak, diretora de IA generativa da Meta há nove anos, anunciou no LinkedIn que vai para a OpenAI;

  • Shengjia Zhao, ex-pesquisador da OpenAI e recém-nomeado cientista-chefe do laboratório de superinteligência da Meta, teria tentado retornar à OpenAI antes mesmo de assinar seu contrato.

O futuro da superinteligência na Meta

Com bilhões investidos, talentos saindo e reorganizações internas, a Meta enfrenta um desafio gigantesco: provar que ainda pode competir na corrida pela IA. Enquanto isso, a OpenAI segue consolidando sua posição como referência global, atraindo de volta até mesmo os pesquisadores que a Meta havia conquistado.

Para Zuckerberg, a busca pela superinteligência artificial está apenas começando — mas o caminho parece bem mais instável do que o esperado.

 

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