A próxima fase da inteligência artificial no trabalho pode ser marcada por uma mudança importante: em vez de esperar constantemente por comandos, os sistemas começarão a assumir tarefas inteiras.
É essa a ambição da Microsoft com a nova geração do Copilot. A empresa apresentou uma reorganização da plataforma que reúne consultas, delegação de tarefas e criação de ferramentas, além de introduzir o Autopilot, um agente capaz de continuar trabalhando sem supervisão permanente.
Segundo Jared Spataro, diretor de marketing de AI at Work da Microsoft, no futuro o usuário poderá simplesmente dizer qual resultado deseja. O próprio Copilot decidirá se deve usar Chat, Cowork, Code ou outra ferramenta disponível.
Copilot quer deixar de ser apenas um chatbot

A principal mudança começa com o Home, que funcionará como a nova porta de entrada do Copilot.
O espaço reunirá Chat e Cowork e permitirá retomar documentos, conversas, e-mails e outras atividades exatamente do ponto em que foram interrompidas.
O Cowork será destinado a trabalhos mais complexos. Em vez de responder apenas a uma pergunta, poderá receber uma tarefa e executá-la do início ao fim.
Isso inclui preparar uma proposta comercial, desenvolver materiais para o lançamento de um produto, produzir um relatório para um cliente ou organizar documentos para um fechamento financeiro.
A integração com o Office também permitirá criar e atualizar arquivos do Word, planilhas do Excel e apresentações do PowerPoint em tempo real.
Code permitirá criar aplicativos sem saber programar
Uma das novidades mais importantes será o Code.
A ferramenta permitirá que funcionários sem experiência em programação descrevam em linguagem natural o aplicativo, painel de dados, automação ou fluxo de trabalho que desejam criar.
O Copilot ficará responsável por escolher a abordagem e gerar a solução.
O resultado poderá ser um pequeno widget para computador, uma aplicação corporativa hospedada na nuvem ou um painel personalizado para visualizar e trabalhar com dados.
Para a Microsoft, isso pode adicionar uma nova categoria às ferramentas tradicionais do trabalho de escritório.
Documentos, planilhas e apresentações continuarão existindo, mas serão acompanhados por pequenas aplicações criadas para resolver necessidades específicas de cada funcionário ou equipe.
O Code utilizará tecnologia do GitHub Copilot e poderá funcionar em ambientes isolados hospedados dentro das próprias organizações.
Autopilot continuará trabalhando enquanto o usuário estiver ausente
A mudança mais ambiciosa aparece com o Autopilot, anteriormente chamado Scout.
Ele funcionará como uma espécie de colega digital ao qual será possível atribuir nome, função, objetivos e permissões.
O agente poderá acompanhar canais, monitorar conversas, executar tarefas periódicas e até retomar projetos vários dias depois de receber a instrução original.
Em uma avaliação de fornecedores, por exemplo, poderá elaborar o cronograma, organizar reuniões, acompanhar pendências e solicitar informações atualizadas às pessoas envolvidas.
Como ficará hospedado na nuvem, continuará executando essas atividades mesmo quando o usuário estiver dormindo ou concentrado em outro trabalho.
O Autopilot terá memória, identidade, capacidade de processamento e espaço de trabalho próprios dentro do ambiente corporativo. Também poderá ser acionado no Teams, Outlook, documentos, chats e canais.
Microsoft também quer controlar quanto esses agentes gastam

Essa autonomia traz outro problema: custo.
A Microsoft pretende separar as tarefas cotidianas das operações mais complexas realizadas por agentes.
A assinatura por usuário incluirá recursos do Copilot em Chat, Word, Excel, PowerPoint, Outlook e Teams. Já ferramentas como Cowork, Code e Autopilot utilizarão um modelo de cobrança baseado no consumo.
Os administradores poderão definir limites de gastos, escolher quais modelos cada grupo pode utilizar e acompanhar o consumo de créditos.
Os próprios funcionários também poderão consultar quanto consumiram e verificar seu saldo disponível.
A transformação começa nos próximos meses
Microsoft começará a liberar Home e Code por meio do programa Frontier nas próximas semanas. O Autopilot terá sua versão preliminar privada ampliada no fim do mês, enquanto Today deve entrar em testes privados em outubro de 2026.
Today funcionará como um centro de controle para e-mails, calendário, reuniões, conversas do Teams e tarefas. A ferramenta poderá preparar rascunhos, sugerir alterações de horários e organizar acompanhamentos para revisão.
A estratégia deixa clara a direção escolhida pela Microsoft: o Copilot não deve apenas responder perguntas. A empresa quer transformá-lo em uma plataforma capaz de decidir quais ferramentas utilizar, executar processos completos e continuar trabalhando sem que uma pessoa precise supervisionar cada etapa.
[ Fonte: Infobae ]