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Tecnologia

A nova IA da Meta estreou com números maiores que os do ChatGPT e quer fazer muito mais do que responder perguntas

A Meta entrou em uma nova fase da corrida pela inteligência artificial com um agente capaz de executar tarefas sozinho. Os primeiros números mostram uma estreia difícil de ignorar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A disputa pela inteligência artificial ganhou um novo capítulo, e desta vez a Meta não quer apenas colocar outro chatbot no mercado. A empresa lançou um agente pessoal capaz de navegar pela internet, preencher formulários e realizar tarefas em nome do usuário. Poucos dias depois da estreia, os primeiros números começaram a chamar atenção: em uma comparação equivalente, o aplicativo avançou mais rápido do que o ChatGPT em seus primeiros dias nos celulares.

Muse não quer ser apenas mais um chatbot

Lançado pela Meta em setembro, o Muse representa uma mudança importante na estratégia da empresa para inteligência artificial. Em vez de se limitar a responder perguntas, resumir textos ou produzir conteúdo, a ferramenta foi criada para agir.

Na prática, o usuário pode pedir que o agente organize compromissos, gerencie conflitos de agenda, acompanhe e-mails, faça reservas, preencha formulários ou pesquise produtos. Também é possível estabelecer objetivos mais amplos e deixar que o sistema desenvolva um plano para alcançá-los.

Essa é justamente a diferença entre um chatbot convencional e os chamados agentes de IA. O primeiro espera uma pergunta e oferece uma resposta. O segundo recebe uma tarefa e tenta executá-la utilizando diferentes serviços e ferramentas.

O Muse também pode continuar trabalhando mesmo depois que o aplicativo é fechado. Quando chega a uma etapa que exige uma decisão importante, como enviar uma mensagem ou concluir uma compra, o sistema pode solicitar autorização ao usuário.

A Meta afirma ainda que o agente consegue aprender preferências e utilizar informações anteriores para personalizar suas ações. Ele pode, por exemplo, conectar-se a calendário, e-mail e outros serviços autorizados pelo usuário.

Mas foi outro detalhe que colocou o lançamento no centro das atenções.

Os primeiros números superaram os do ChatGPT em uma comparação equivalente

A nova IA da Meta estreou com números maiores que os do ChatGPT e quer fazer muito mais do que responder perguntas
© Unsplash

Dados da empresa de inteligência de mercado Apptopia indicaram que o Muse alcançou 1,8 milhão de downloads nos Estados Unidos e Canadá durante seus primeiros 12 dias, considerando uma comparação equivalente com o lançamento móvel do ChatGPT.

No mesmo intervalo inicial, o aplicativo do ChatGPT havia registrado cerca de 1,3 milhão.

A diferença aparece também no uso diário.

Segundo os dados divulgados, o Muse chegou a aproximadamente 642 mil usuários ativos por dia, contra cerca de 231 mil registrados pelo ChatGPT no período equivalente de sua estreia.

Há, porém, uma diferença importante entre os dois lançamentos.

Quando o ChatGPT chegou aos smartphones, estava disponível globalmente, mas apenas para iOS. O Muse estreou tanto no iPhone quanto no Android, embora inicialmente restrito aos mercados norte-americanos. Por isso, a Apptopia também comparou especificamente o desempenho no iOS nos Estados Unidos e Canadá para tentar aproximar as condições dos dois lançamentos.

Somando as plataformas, o Muse chegou a 2,8 milhões de instalações nos primeiros 12 dias. A ferramenta também alcançou o primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos da App Store dos Estados Unidos.

Isso não significa que o Muse tenha ultrapassado o ChatGPT em número total de usuários. A comparação se refere apenas ao desempenho inicial dos aplicativos em períodos equivalentes.

A Meta tem uma vantagem que poucas empresas conseguem reproduzir

A nova IA da Meta estreou com números maiores que os do ChatGPT e quer fazer muito mais do que responder perguntas
© Dima Solomin – Unsplash

Existe outro fator que pode ajudar a explicar a rápida adoção.

Mais de 95% dos primeiros usuários do Muse também utilizavam Facebook, enquanto aproximadamente 63% estavam no Instagram, segundo dados da Apptopia.

Esse cruzamento mostra uma das maiores vantagens competitivas da Meta.

A empresa controla algumas das plataformas digitais mais utilizadas do planeta e pode apresentar novos produtos diretamente para uma base gigantesca de usuários. Foi uma estratégia semelhante à observada no lançamento do Threads, que aproveitou a integração com o Instagram para acelerar seu crescimento inicial.

O Muse também foi pensado para funcionar dentro desse ecossistema. A Meta afirma que é possível conversar com o agente pelo próprio aplicativo ou diretamente pelo WhatsApp. O sistema pode ainda aproveitar informações de serviços conectados, sempre de acordo com as permissões concedidas pelo usuário.

A companhia afirma que o agente roda em uma máquina virtual dedicada, chamada Muse Secure VM, e que ações consideradas sensíveis exigem confirmação. Também diz que as conversas e os dados armazenados nesse ambiente não são compartilhados com seus sistemas de publicidade.

A disputa agora pode deixar de ser sobre quem responde melhor

O sucesso inicial do Muse ocorre em um momento em que as empresas de tecnologia tentam transformar a inteligência artificial em algo mais autônomo.

A competição que começou com chatbots capazes de produzir textos e responder perguntas está avançando para sistemas que podem executar sequências inteiras de ações.

E isso muda o terreno da disputa.

O usuário deixa de avaliar apenas qual IA oferece a resposta mais convincente. Passa também a considerar qual delas consegue economizar mais tempo, integrar melhor seus aplicativos e realizar tarefas com menos intervenção.

O próprio Muse reconhece que ainda pode cometer erros e realizar ações inesperadas, recomendando que os usuários acompanhem seu funcionamento.

Mesmo assim, os números iniciais mostram que existe interesse por esse novo modelo de assistente. A rápida adoção também chamou a atenção de Wall Street: desde o lançamento, as ações da Meta chegaram a acumular valorização superior a 20%, adicionando mais de US$ 200 bilhões ao valor de mercado da companhia.

Ainda é cedo para saber se o ritmo será sustentável. Mas a estreia deixa uma pista importante sobre a próxima fase da corrida pela IA: talvez a batalha já não seja apenas para descobrir quem conversa melhor com você, mas quem consegue realmente fazer mais coisas por você.

[Fonte: C3]

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