O setor de mineração não se limita mais à redução de custos: a inteligência artificial se tornou uma aliada estratégica para eficiência, resiliência e sustentabilidade. Mas o maior desafio não é técnico, e sim humano, envolvendo resistência à mudança e escassez de profissionais qualificados.
Da redução de custos à eficiência global
Um estudo conduzido pela MIT Technology Review em parceria com a NTT DATA entrevistou 25 líderes de 14 mineradoras em Chile, Brasil, Peru e México. O relatório mostra que o foco deixou de ser apenas corte de gastos. Hoje, as prioridades incluem eficiência operacional, resiliência a riscos e sustentabilidade. Segundo Jaime Rebolledo, estrategista da NTT DATA, “o principal obstáculo não é técnico, mas humano: resistência ao novo e falta de talentos especializados”.
Automação e mínima intervenção humana
A inteligência artificial permite automatizar processos críticos, desde perfuração até transporte e processamento de minerais. Atualmente, essas operações já alcançam 32% de automação, reduzindo a presença humana em ambientes de alto risco e aumentando tanto a segurança quanto a produtividade. Sistemas de análise de dados e soluções autônomas ajudam a criar operações mais eficientes e menos dependentes de supervisão constante.
Lacunas entre expectativa e resultado
Apesar do avanço, muitas iniciativas ainda não entregam todo o valor esperado. O estudo indica que 72% dos projetos cumprem apenas parcialmente seus objetivos, e somente 28% alcançam melhorias em toda a cadeia produtiva. A falta de integração entre projetos isolados e a limitação de recursos para escalar soluções são os principais fatores que limitam o impacto da tecnologia.

O fator humano: a maior barreira
A resistência cultural é apontada por 27,5% dos líderes como o maior desafio, seguida pela escassez de profissionais qualificados (14,5%). Especialistas recomendam investimento em treinamento e a promoção de uma cultura de experimentação e colaboração entre departamentos para aproveitar o máximo potencial da IA.
Sustentabilidade como motor emergente
Embora não seja o objetivo principal, a sustentabilidade ganha espaço na agenda do setor. Tecnologias autônomas ajudam a reduzir emissões, economizar energia e diminuir a exposição de funcionários a condições perigosas. Esses avanços fortalecem a licença social para operar e melhoram as relações com comunidades e órgãos reguladores.
A inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta tecnológica na mineração latino-americana: é um agente de transformação cultural, operacional e ambiental. O futuro do setor dependerá da capacidade das empresas de integrar inovação, formar equipes qualificadas e criar processos mais eficientes, resilientes e sustentáveis.