A morte de Matthew Perry, em 2023, abalou fãs no mundo todo e trouxe à tona o perigoso mercado paralelo de drogas usadas em tratamentos médicos. Agora, a principal acusada no caso, Jasveen Sangha, aceitou se declarar culpada. Conhecida como “Rainha da Cetamina”, ela pode enfrentar décadas de prisão. O processo expõe os bastidores sombrios do tráfico e a luta de um astro marcado pela dependência.
Quem é a “Rainha da Cetamina”
Jasveen Sangha, 42 anos, de dupla nacionalidade britânica e americana, ganhou fama no submundo das drogas sintéticas como a “Rainha da Cetamina”, apelido citado até em documentos oficiais. Para a promotoria, ela era peça-chave em um esquema prolífico de distribuição da substância, usada tanto em ambientes clínicos quanto recreativos.
Com sua confissão, Sangha se tornou a quinta e última acusada pela morte de Perry a aceitar acordo judicial, evitando um julgamento que seria realizado em setembro. Antes dela, outros envolvidos — os médicos Salvador Plasencia e Mark Chavez, além de Kenneth Iwamasa e Erik Fleming — já haviam admitido culpa em troca de penas reduzidas.
O acordo judicial e as possíveis penas
Sangha assinou uma declaração em que se assume culpada de cinco crimes federais: manter um local de armazenamento de drogas, três acusações de distribuição de cetamina e uma de distribuição que resultou em morte ou lesão grave.
O acordo retirou outros três crimes ligados à cetamina e um de distribuição de metanfetamina, não relacionado a Matthew Perry. A sentença será definida em audiência, mas a acusada pode pegar até 45 anos de prisão.
“Ela está assumindo a responsabilidade pelos próprios atos”, declarou seu advogado, Mark Geragos.
Um histórico de tragédias
O caso Perry não foi o único associado a Sangha. Em 2019, ela vendeu quatro frascos de cetamina a Cody McLaury, que morreu poucas horas depois por overdose. Embora sem relação direta com o ator, o episódio reforça a periculosidade da rede que Sangha ajudava a sustentar.
Segundo especialistas, casos assim evidenciam como substâncias desenvolvidas para uso médico podem se transformar em combustível do mercado ilegal.
A morte de Matthew Perry
O astro de Friends morreu em 28 de outubro de 2023, em sua casa, aos 54 anos. Documentos judiciais revelam que ele recebia cetamina regularmente de seu médico para tratar depressão, numa frequência de seis a oito doses diárias — um uso muito além do recomendado.
Embora a cetamina tenha ganhado espaço como alternativa terapêutica em quadros graves de depressão, seu consumo excessivo é arriscado e pode levar à morte. O caso Perry reacendeu discussões sobre limites da medicina experimental e os perigos de abusos.
Chandler Bing e a luta contra o vício

Desde os anos de maior sucesso de Friends, Perry travava uma batalha aberta contra a dependência de álcool e opioides. Ao longo da vida, passou por diversas clínicas de reabilitação e chegou a relatar que não lembrava de temporadas inteiras da série devido ao vício.
Sua morte expôs não apenas a fragilidade de um dos atores mais queridos da TV, mas também os riscos mortais da combinação entre tratamentos mal monitorados, drogas poderosas e redes ilícitas de fornecimento.
O legado e as lições
O desfecho judicial contra a “Rainha da Cetamina” pode encerrar o capítulo criminal, mas deixa reflexões profundas. O caso mostra como o tráfico e o mau uso de substâncias médicas podem destruir vidas — inclusive a de um ícone da cultura pop. Para milhões de fãs, fica a memória de Chandler Bing, o personagem que trouxe humor a uma geração, e a dor de uma perda precoce.
[ Fonte: Euronews ]