O tratamento de tumores cerebrais no Brasil acaba de ganhar um importante reforço. A Anvisa aprovou o uso do Voranigo (vorasidenibe), um medicamento oral de uso diário indicado para determinados tipos de câncer cerebral em adolescentes e adultos. Voltado a casos específicos, o remédio pode retardar a progressão da doença e postergar tratamentos mais invasivos, abrindo novas perspectivas para pacientes e médicos.
Indicação e público-alvo
O Voranigo é indicado para pacientes a partir de 12 anos diagnosticados com gliomas difusos de baixo grau (grau 2), como astrocitomas e oligodendrogliomas, que apresentem mutações nas enzimas IDH1 ou IDH2. O tratamento é voltado para aqueles que já passaram por cirurgia, mas que não necessitam, no momento, de radioterapia ou quimioterapia.
Como o medicamento atua
O fármaco age inibindo as enzimas mutadas IDH1 e IDH2, que produzem substâncias responsáveis por estimular o crescimento das células tumorais. Ao bloquear essa atividade, o Voranigo ajuda a retardar a evolução da doença e, em muitos casos, reduz o volume do tumor, prolongando o tempo até que outras intervenções sejam necessárias.
Processo de aprovação
A aprovação pela Anvisa ocorreu em 11 de agosto e autoriza a prescrição do medicamento em território nacional. O Voranigo é fabricado pela farmacêutica Servier e será comercializado sob prescrição médica, respeitando os critérios estabelecidos no registro.

Próximos passos para o acesso
Apesar da liberação, o acesso ao medicamento dependerá de etapas adicionais. Para estar disponível nos planos de saúde, será necessária a inclusão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já para o Sistema Único de Saúde (SUS), a decisão cabe à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que avaliará custo-benefício e impacto orçamentário.
Perspectivas para pacientes
O Voranigo representa uma alternativa menos agressiva para pacientes com tumores cerebrais de baixo grau e mutações específicas, oferecendo a possibilidade de manter a qualidade de vida por mais tempo antes de iniciar tratamentos mais invasivos. Embora o acesso ainda dependa de análises e incorporações futuras, a aprovação já é vista como um avanço significativo no combate a esse tipo de câncer.
Fonte: Metrópoles