Durante décadas, a ideia de viajar a Marte esteve mais próxima da ficção científica do que da realidade. No entanto, isso está prestes a mudar. Uma startup britânica trabalha em um motor de fusão nuclear que pode cortar pela metade o tempo de viagem até o planeta vermelho. Se der certo, a humanidade poderá chegar a Marte em apenas três meses — e com muito mais segurança.
Sunbird: o foguete que pode mudar tudo
A empresa Pulsar Fusion, com sede no Reino Unido, anunciou o desenvolvimento do Sunbird, um foguete de propulsão por fusão nuclear apoiado pela Agência Espacial Britânica. A proposta é ambiciosa: transformar a fusão — o mesmo processo que alimenta o Sol — em uma forma eficiente de propulsão no espaço.
Enquanto foguetes convencionais levam de sete a nove meses para alcançar Marte, o Sunbird poderia realizar a jornada em apenas três meses. Isso representaria uma revolução não só em termos de tempo, mas também em relação ao custo, logística e riscos para os astronautas.
Como funciona a fusão nuclear no espaço
Diferente da fissão nuclear, usada em reatores atuais, a fusão une núcleos atômicos leves, como o hidrogênio, liberando uma quantidade de energia muito superior — sem resíduos radioativos perigosos. Richard Dinan, fundador da Pulsar Fusion, defende que o espaço é o ambiente ideal para a fusão, já que, ao contrário da Terra, ele não apresenta uma atmosfera que dificulte o processo.
O motor do Sunbird usará hélio-3, um isótopo raro na Terra, mas abundante na Lua. Esse combustível geraria prótons como subproduto, que seriam expulsos diretamente para criar propulsão. Em vez de gerar eletricidade, o objetivo do reator é fornecer impulso direto, por meio de um sistema linear inovador.
Testes em órbita já têm data marcada
A primeira demonstração em órbita está planejada para 2027, com um investimento estimado em US$ 70 milhões. Será um teste de conceito, e não um voo completo, mas servirá para validar a tecnologia de fusão linear no espaço.
O plano da Pulsar inclui ainda a criação de uma rede de propulsores modulares em órbita baixa da Terra e em torno de Marte. Assim, espaçonaves poderiam se acoplar aos motores Sunbird durante o percurso, economizando combustível e aumentando a velocidade durante os trechos mais longos.
Com essa estrutura, a empresa espera transportar até duas toneladas de carga a Marte em menos de quatro meses, e alcançar planetas como Júpiter ou Saturno em apenas dois a quatro anos — tempos impensáveis com a tecnologia atual.
A corrida pela propulsão nuclear
A NASA também está de olho no potencial da energia nuclear para o espaço. Em parceria com a General Atomics, a agência americana desenvolve um sistema de propulsão térmica nuclear baseado em fissão, com testes previstos também para 2027.
Outro projeto da NASA, o Marvl, estuda um sistema modular de radiadores para propulsão elétrica nuclear. O diferencial é que os veículos seriam montados diretamente no espaço, com robôs e peças modulares, rompendo com os limites atuais de lançamento terrestre.
Um novo capítulo na exploração espacial
Especialistas como a professora Bhuvana Srinivasan, da Universidade de Washington, acreditam que a propulsão nuclear pode beneficiar até mesmo missões à Lua. Para ela, uma base lunar poderia funcionar como plataforma para explorar o espaço profundo e aproveitar o hélio-3 como fonte energética no futuro.
Já Aaron Knoll, do Imperial College London, reforça que a fusão é ainda mais promissora no espaço do que na Terra. Isso porque, mesmo sem gerar mais energia do que consome, um motor de fusão ainda oferece impulso útil, o que é o mais importante em uma missão espacial.
Marte está cada vez mais perto
A substituição dos motores químicos por alternativas nucleares pode acelerar não apenas o acesso a Marte, mas também a descoberta de novos planetas, luas e asteroides. Missões que hoje levariam anos, poderiam ser realizadas em meses — ou até semanas.
Se os testes forem bem-sucedidos, o Sunbird pode marcar o início de uma nova era na exploração espacial. E, com ele, a possibilidade de viagens interplanetárias mais rápidas, seguras e acessíveis do que nunca deixaria de ser ficção científica para se tornar parte do nosso futuro.
Fonte: Infobae