Segundo o MP-SP, os problemas foram identificados tanto nas futuras estações quanto em áreas de poços de ventilação e saídas de emergência. Em alguns casos, moradores tiveram que deixar suas casas às pressas e foram realocados em hotéis “por tempo indeterminado”.
A Promotoria aponta ainda que os imóveis desocupados ficaram abandonados, vulneráveis a depredações, invasões e uso por criminosos ou usuários de drogas — o que, além do prejuízo financeiro, também gera impacto social para os proprietários.
Indenizações consideradas insuficientes

Outro ponto polêmico é a compensação financeira. Famílias afetadas afirmam que não receberam indenizações compatíveis com os prejuízos. O MP destaca que muitos dos estragos não foram reparados de forma satisfatória, deixando moradores inseguros e sem garantias de retorno às suas casas.
A situação pode se agravar com o uso do “tatuzão”, equipamento que escava túneis e que, segundo funcionários do próprio Metrô, pode causar novos danos.
A recomendação do MP-SP
O documento assinado pelo promotor Moacir Tonani Junior, da Promotoria de Habitação e Urbanismo, pede a suspensão “por prazo indeterminado” dos contratos com empresas consorciadas responsáveis pela obra. O órgão deu 30 dias para que o Metrô apresente um relatório detalhado, listando todas as famílias realocadas e informando sobre indenizações já pagas.
O que diz o Metrô
Em resposta, o Metrô afirmou que realiza vistorias técnicas regulares nos imóveis próximos às obras. A companhia declarou que, quando detecta danos, os moradores são realocados e as reparações são feitas “assim que possível”.
A empresa também destacou oferecer suporte completo às famílias afetadas, incluindo pagamento de aluguel, hospedagem em hotéis, locação de garagens e até acomodação para animais de estimação e coworkings para quem trabalha em home office. A companhia reforçou que prestará todos os esclarecimentos solicitados pelo MP-SP.
A recomendação do MP-SP acende um alerta sobre os impactos da expansão da Linha 2-Verde não apenas na mobilidade urbana, mas também na vida de centenas de famílias. Enquanto a obra segue em disputa judicial e técnica, moradores continuam aguardando reparação justa e a garantia de segurança em seus próprios lares.
[Fonte: O tempo]