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Ciência

Não é Júpiter: cientistas descobrem o maior planeta já visto — e ele cresce a cada segundo

Um planeta dez vezes mais massivo que Júpiter foi detectado a 620 anos-luz da Terra, e está devorando bilhões de toneladas de matéria por segundo. O achado, liderado por astrônomos da NASA e da Universidade Johns Hopkins, revela um corpo celeste que desafia as teorias sobre formação planetária e rivaliza com estrelas em crescimento.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Astrônomos acabam de identificar o que pode ser o maior planeta já descoberto no universo conhecido — um colosso que continua crescendo a um ritmo impressionante. Chamado Cha 1107-7626, o corpo errante tem de cinco a dez vezes a massa de Júpiter e se comporta mais como uma estrela do que como um planeta. O achado, publicado na The Astrophysical Journal Letters, redefine o que sabemos sobre a infância dos mundos cósmicos.

Um gigante em formação

Astrônomos Descobrem Planeta Errante Que Cresce A Ritmo Recorde De 6,6 Bilhões De Toneladas Por Segundo
© X-@nypost

A descoberta foi anunciada pela NASA e detalhada por uma equipe internacional liderada por Víctor Almendros-Abad, do Observatório Astronômico de Palermo, e Ray Jayawardhana, da Universidade Johns Hopkins.

Cha 1107-7626, localizado a 620 anos-luz da Terra, na constelação de Camaleão, é um planeta errante — não orbita nenhuma estrela e vaga livremente pelo espaço interestelar. Apesar de ter entre 1 e 2 milhões de anos, ainda está em plena formação, o que o torna um dos objetos mais jovens já observados desse tipo.

Segundo o estudo, o planeta absorve 6,6 bilhões de toneladas de matéria por segundo, uma taxa oito vezes maior que a observada meses antes. Esse apetite cósmico o faz crescer constantemente, enquanto atrai poeira, gás e detritos ao seu redor.

Um planeta que age como uma estrela

As observações, realizadas com o espectrógrafo X-shooter do Very Large Telescope, registraram um surto de crescimento entre junho e agosto de 2024. O telescópio espacial James Webb detectou mudanças químicas inéditas em seu disco de gás, incluindo a presença de vapor de água durante o pico de atividade — algo nunca visto antes em planetas.

Os pesquisadores acreditam que campos magnéticos intensos estão impulsionando a rápida absorção de material, um comportamento típico de estrelas em formação. Essa descoberta fornece uma rara “janela” para observar o nascimento de um planeta errante e pode revolucionar as teorias sobre a origem dos mundos fora do Sistema Solar.

O que são planetas errantes?

Diferentemente dos planetas que orbitam estrelas, os planetas errantes — também chamados de planetas órfãos — flutuam sozinhos no espaço, sem vínculos gravitacionais permanentes.
Cientistas acreditam que alguns se formaram dentro de sistemas estelares e foram expulsos por interações gravitacionais, enquanto outros nasceram de forma semelhante às estrelas, a partir do colapso de nuvens moleculares.

De acordo com o astrônomo Aleks Scholz, da Universidade de St. Andrews, o caso de Cha 1107-7626 se encaixa nessa segunda categoria: “Este objeto provavelmente se formou de maneira parecida com as estrelas, mas não adquiriu massa suficiente para acender o núcleo e brilhar”.

O impacto científico da descoberta

Para a astrofísica Núria Miret Roig, da Universidade de Barcelona, o achado é essencial para entender o processo de acréscimo de matéria — a forma como planetas e estrelas crescem ao atrair gás e poeira.
“Esses estudos são cruciais para compreender a composição atmosférica e a presença de discos e possíveis companheiros orbitais”, afirmou.

A equipe agora pretende monitorar o planeta para determinar com que frequência ocorrem seus surtos de crescimento e por quanto tempo eles duram. Pesquisadores também especulam sobre a possibilidade de formação de luas ao seu redor — e até de condições que possam, em teoria, sustentar vida.

O futuro da exploração cósmica

A descoberta de Cha 1107-7626 reforça o papel de novos telescópios de alta precisão na astronomia moderna. Equipamentos como o Observatório Vera C. Rubin, o Telescópio Extremamente Grande (ELT) no Chile e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, previsto para 2027, prometem ampliar a busca por objetos semelhantes.

Enquanto isso, o gigante errante continua crescendo — um lembrete de que o cosmos ainda guarda segredos capazes de desafiar tudo o que pensamos saber sobre a formação dos mundos.

 

[ Fonte: El Cronista ]

 

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