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Ciência

Rover Perseverance da NASA flagra visitante interestelar cruzando o céu de Marte

O rover Perseverance, da NASA, pode ter registrado algo extraordinário: o cometa 3I/ATLAS, um visitante vindo de fora do Sistema Solar, cruzando o céu marciano. A observação oferece uma rara oportunidade de estudar um corpo interestelar a partir de outro planeta — e reforça o papel de Marte como posto avançado da exploração cósmica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Enquanto humanos observam o cosmos da Terra, o rover Perseverance segue fazendo o mesmo — mas de Marte. A NASA revelou que o robô pode ter capturado em foto um cometa interestelar riscando o céu do planeta vermelho. O objeto, conhecido como 3I/ATLAS, passou a cerca de 30 milhões de quilômetros da superfície marciana no último dia 3 de outubro, e já é considerado uma das visitas mais raras da astronomia moderna.

Um visitante de outro sistema estelar

O 3I/ATLAS foi detectado pela primeira vez entre 25 e 29 de junho pelo sistema ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), instalado no Havaí. Observações subsequentes confirmaram que o objeto seguia uma trajetória hiperbólica, o que significa que não está preso à gravidade do Sol e, portanto, não orbita nossa estrela como um cometa comum.

Em 2 de julho, a União Astronômica Internacional confirmou a origem interestelar do corpo, tornando-o o terceiro objeto desse tipo já identificado — depois de ‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019). Cada descoberta desse tipo é uma janela para outros sistemas estelares: pedaços de mundos distantes que cruzam brevemente o nosso caminho antes de desaparecer para sempre no espaço profundo.

A foto marciana

No sábado, o Perseverance — robô que explora a cratera Jezero desde 2021 — registrou uma imagem mostrando um traço luminoso cortando o céu marciano. Segundo a NASA, há fortes indícios de que o fenômeno se trata do cometa 3I/ATLAS, visível de Marte mesmo após ter desaparecido da vista terrestre no final de outubro.

A agência havia preparado o rover e sua frota de orbitadores para o evento, coordenando observações com a Agência Espacial Europeia (ESA), que também monitorou a passagem usando as sondas Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter.

Se confirmado, o registro marciano marcará a primeira vez que um cometa interestelar é observado a partir de outro planeta.

O enigma dos visitantes interestelares

Objetos como o 3I/ATLAS intrigam os cientistas porque carregam pistas sobre como os sistemas planetários se formam. Ao atravessar o Sistema Solar, eles permitem comparar sua composição química com a de cometas locais — e, assim, entender se os processos de formação de planetas são universais ou únicos em cada estrela.

Esses viajantes interestelares provavelmente foram expulsos de seus sistemas de origem por interações gravitacionais com planetas gigantes. Depois, passaram milhões de anos vagando até cruzarem o caminho do Sol.

“Cada um desses objetos é uma cápsula do tempo de outro sistema estelar”, explicou a NASA em comunicado. “Estudar sua trajetória e composição ajuda a responder como a matéria-prima da vida se espalha pela galáxia.”

Um cometa de passagem

Atualmente invisível para telescópios terrestres por estar atrás do Sol, o 3I/ATLAS poderá voltar a ser observado da Terra em dezembro, quando emergir novamente no campo de visão dos observatórios.

Enquanto isso, ele continua sua jornada: depois de sobrevoar Marte, o cometa seguirá rumo a Júpiter em março de 2026. Após essa aproximação, deve deixar definitivamente o Sistema Solar, retornando ao espaço interestelar — provavelmente para nunca mais voltar.

Para a equipe do Perseverance, o registro reforça como Marte, mesmo a milhões de quilômetros da Terra, já é parte ativa da observação astronômica.

Um olhar extraterrestre sobre o cosmos

Assim como humanos olham para as estrelas e se perguntam sobre a vida além da Terra, agora um robô em Marte faz o mesmo. Ao fotografar um viajante interestelar, o Perseverance se torna o primeiro emissário de uma civilização a testemunhar o encontro de dois mundos — um vindo de fora do nosso sistema, outro já habitado pela curiosidade humana.

 

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