Poucos instrumentos fizeram tanto pela fotografia do Universo quanto o Telescópio Espacial Hubble. Desde seu lançamento, em 1990, o observatório registrou planetas, nebulosas e galáxias que transformaram nossa compreensão do cosmos. Mas, enquanto continua produzindo ciência, ele perde altitude lentamente. Sem uma intervenção, a expectativa é que entre na atmosfera terrestre entre o início e meados da década de 2030.
Agora, a NASA procura empresas capazes de mudar esse destino — ou, pelo menos, administrar o encerramento da missão.
Uma operação para ganhar altitude
Em 29 de outubro, a agência publicou uma solicitação de informações ao setor espacial comercial. O documento busca identificar soluções para elevar a órbita do Hubble e, possivelmente, realizar serviços que melhorem seu desempenho.
A consulta também considera uma alternativa menos animadora: conduzir o telescópio a uma reentrada controlada na atmosfera, caso prolongar sua operação não seja viável.
As empresas interessadas precisam explicar como suas tecnologias atuais, ou previstas para um futuro próximo, poderiam capturar o observatório com segurança. No cenário de extensão da missão, o objetivo seria levá-lo a uma altitude de pelo menos 600 quilômetros.
A operação considerada pela NASA ocorreria em 2032. Por enquanto, a solicitação serve para reunir informações sobre possibilidades técnicas e comerciais. Ela não representa a contratação de uma missão de resgate.
O desafio vai muito além de enviar uma nave
A proposta exige que as empresas assumam o planejamento da operação, forneçam uma espaçonave e organizem seu lançamento. Se a solução envolver astronautas, também precisarão providenciar a tripulação.
Além de elevar a órbita, os participantes podem apresentar maneiras de realizar manutenção no telescópio. Qualquer abordagem deverá preservar a integridade do Hubble durante as operações.
Trata-se de uma tarefa delicada. Aproximar uma nave, estabelecer contato e movimentar um observatório espacial exige controle preciso. A proposta precisa demonstrar como executar essas etapas sem danificar um equipamento que continua trabalhando.
Se a opção escolhida for encerrar a missão, o desafio muda: será necessário conduzir sua trajetória de forma controlada para a reentrada na atmosfera.
Os ônibus espaciais já fizeram parte dessa história
A perda gradual de altitude acompanha o Hubble há décadas. Em 2002, durante uma missão de manutenção, o ônibus espacial Columbia elevou sua órbita e ajudou a prolongar sua permanência no espaço.
Mas esse recurso já não está disponível. A frota de ônibus espaciais foi aposentada, e seus veículos hoje ocupam museus. Sem essas naves para repetir a operação, a NASA passou a procurar outras possibilidades no setor privado.
Elevar a órbita poderia oferecer mais tempo de trabalho ao observatório. Isso, porém, depende de encontrar uma solução tecnicamente viável e com custos aceitáveis.
Hubble ainda tem ciência pela frente
No comunicado da agência, o administrador da NASA, Jared Isaacman, defendeu a investigação de alternativas para preservar o telescópio.
Segundo ele, o Hubble ainda pode realizar pesquisas importantes. Por isso, a agência deve avaliar oportunidades razoáveis de mantê-lo operando pelo maior tempo possível.
Isaacman também destacou a necessidade de buscar soluções inovadoras e econômicas para prolongar a vida de equipamentos que já estão em órbita. A questão envolve tanto o retorno científico quanto o uso dos recursos públicos.
O prazo para as empresas responderem termina em 30 de novembro. As informações recebidas ajudarão a NASA a avaliar se o Hubble poderá ganhar uma nova etapa de exploração ou se será necessário preparar uma despedida controlada para um dos observatórios mais importantes da história.