O que o estudo revelou
O ATTAIN-2, estudo de Fase III divulgado nesta terça-feira, acompanhou mais de 1.600 voluntários em 10 países. Os participantes eram obesos ou estavam acima do peso e tinham diabetes tipo 2. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu doses diárias de orforglipron e o outro, um placebo.
Após 72 semanas de acompanhamento, os resultados foram animadores:
- Em média, pessoas que tomaram a maior dose do medicamento perderam cerca de 10% do peso corporal;
- Quem recebeu placebo perdeu apenas 2,5% do peso inicial;
- Cerca de um terço dos participantes na dose mais alta conseguiu reduzir 15% ou mais do peso.
Além da perda de peso, os pacientes apresentaram melhora significativa nos níveis de açúcar no sangue.
Segurança e efeitos colaterais
O orforglipron se mostrou tão seguro quanto outros medicamentos GLP-1 já disponíveis no mercado. No entanto, alguns efeitos colaterais foram observados, principalmente nas doses mais altas:
- Diarreia;
- Vômitos;
- Constipação.
Cerca de 10% dos participantes abandonaram o tratamento por causa desses efeitos, número que cai para 5% entre quem tomou placebo.
Comparação com Ozempic e Wegovy
Hoje, o único comprimido GLP-1 aprovado é o Rybelsus, da Novo Nordisk — uma versão oral do semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy. A Novo Nordisk já busca aprovação para uma dose mais alta de semaglutida oral voltada ao emagrecimento, prevista para chegar ao mercado até o fim de 2025.
Por isso, a chegada do orforglipron não deve acabar com a liderança dos concorrentes. Em outro estudo, o ATTAIN-1, ele mostrou uma redução média de 12,4% do peso corporal, resultado menor do que o 14% obtido em testes com o Wegovy e também inferior ao tirzepatida, outro medicamento da Eli Lilly que combina GLP-1 e GIP.
Por que um comprimido pode mudar o jogo
Mesmo que o orforglipron seja ligeiramente menos eficaz do que alguns injetáveis, ele pode ganhar espaço por um fator importante: conveniência. Muitos pacientes devem preferir um comprimido diário a uma injeção semanal.
Além disso, comprimidos são mais fáceis de produzir em larga escala do que as versões injetáveis, o que pode evitar problemas de escassez, como os que já afetaram o Ozempic e o tirzepatida no passado. Outro ponto positivo é a possibilidade de ajudar pessoas que não responderam bem a outros tratamentos.
O que vem por aí
A Eli Lilly já anunciou que vai pedir aprovação do orforglipron à FDA (agência regulatória dos EUA) e a outros órgãos pelo mundo. A expectativa é que a decisão saia em 2025.
O mercado de medicamentos contra a obesidade está se tornando um dos mais disputados da indústria farmacêutica. Com cada novo lançamento, a corrida pela pílula mais eficaz e acessível fica ainda mais acirrada — e o orforglipron pode ser um divisor de águas.
A farmacêutica Eli Lilly obteve resultados promissores com o orforglipron, um comprimido experimental para tratar obesidade e diabetes tipo 2. Ele apresentou perda de peso significativa, boa segurança e pode se tornar o primeiro GLP-1 oral de nova geração aprovado. A decisão da FDA é esperada para 2025.