A partir da próxima segunda-feira, começa uma nova fase no combate à obesidade e ao diabetes tipo 2 no Brasil. Com a chegada das primeiras canetas injetáveis de liraglutida fabricadas nacionalmente, a farmacêutica EMS dá um passo importante na produção local de medicamentos que antes dependiam exclusivamente de importações. A novidade promete ampliar o acesso e aquecer a concorrência no mercado.
A nova geração de canetas injetáveis fabricadas no Brasil

A EMS lança, a partir do dia 4 de agosto, as primeiras canetas injetáveis com liraglutida produzidas totalmente em território nacional. Os medicamentos — Olire, voltado para o controle da obesidade, e Lirux, indicado para diabetes tipo 2 — surgem como alternativas aos importados Saxenda e Victoza, fabricados pela dinamarquesa Novo Nordisk. A autorização para produção brasileira só foi possível após o fim das patentes desses medicamentos, em 2023.
A liraglutida, princípio ativo presente nas novas canetas, é um análogo do hormônio GLP-1. Sua atuação envolve o retardamento do esvaziamento gástrico, estímulo à saciedade e aumento da produção de insulina — ações que favorecem tanto o controle glicêmico quanto a perda de peso. Estudos indicam que os pacientes podem alcançar uma redução de peso entre 4 e 6 quilos, sendo que uma parcela chega a perder de 5% a 10% do peso corporal. Os benefícios se estendem também à redução de riscos cardiovasculares.
Como funcionam e quanto custam os novos medicamentos
O Olire será utilizado com dose diária de 3 mg para controle da obesidade, enquanto o Lirux será administrado em doses de 1,8 mg por dia no tratamento do diabetes tipo 2. Ao contrário de opções mais recentes com o mesmo princípio ativo, como a semaglutida, que permite aplicação semanal, a liraglutida requer uso diário.
Os preços sugeridos variam entre R$ 307,26 (embalagem com uma caneta) e R$ 760,61 (kit com três canetas de Olire). Para quem aderir ao programa de descontos da EMS, haverá uma redução de 10%. Apesar da expectativa inicial de que os produtos nacionais seriam de 10% a 20% mais baratos que os importados, levantamentos mostram que Saxenda e Victoza vêm sendo vendidos com descontos superiores a 30%, o que equilibra os preços entre as versões nacionais e estrangeiras.
As vendas começarão nas redes Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo e Pacheco, com disponibilidade inicial nas regiões Sul e Sudeste. A expansão para outras áreas do país está prevista para as semanas seguintes.
Produção nacional e impacto no mercado
A EMS investiu mais de R$ 1 bilhão para implantar a produção local das canetas, incluindo a construção da primeira fábrica de peptídeos do Brasil, inaugurada em 2023 em Hortolândia (SP). A unidade tem capacidade de produção de até 20 milhões de canetas por ano e marca uma virada na autonomia farmacêutica do país.
A estimativa é de que 250 mil unidades dos produtos estejam disponíveis nas farmácias até o final de 2025. O movimento representa um avanço não apenas comercial, mas também estratégico para o setor de saúde nacional, com foco em ampliar o acesso e reduzir a dependência externa.
Embora compartilhem a mesma classe terapêutica, a liraglutida e a semaglutida apresentam diferenças importantes. A segunda oferece aplicação semanal e tem mostrado maior eficácia na perda de peso — entre 15% e 17% do peso corporal, enquanto a liraglutida chega a até 10%. Além disso, estudos indicam que a semaglutida exerce efeito mais direto na redução da compulsão alimentar.
Ainda assim, a chegada da versão nacional da liraglutida representa uma oportunidade para mais brasileiros acessarem tratamentos modernos, com preços mais competitivos e fabricação 100% brasileira.
[Fonte: Estado de Minas]