Resultados surpreendentes com aplicação mensal
O MariTide, medicamento experimental da Amgen, apresentou desempenho notável em um ensaio clínico recente. Aplicado apenas uma vez por mês, ele levou participantes a perderem até 20% de seu peso corporal ao longo de um ano. Os dados foram divulgados durante o encontro anual da Associação Americana de Diabetes e publicados no New England Journal of Medicine.
Assim como o Ozempic (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida), o MariTide atua sobre o receptor GLP-1, que regula o apetite e a glicemia. Porém, traz uma diferença crucial: também interfere na ação do hormônio GIP, associado à fome. Enquanto a tirzepatida imita esse hormônio, o MariTide o inibe, mostrando que sua função no controle de peso é mais complexa do que se pensava.
Além disso, o medicamento inclui um anticorpo desenvolvido em laboratório que prolonga sua permanência no organismo, o que permite espaçar as aplicações — algo que pode representar um avanço prático e terapêutico para muitos pacientes.
Estudo clínico e eficácia
O estudo em Fase II envolveu cerca de 600 adultos, incluindo pessoas com obesidade e outras com diabetes tipo 2. Entre os participantes sem diabetes, alguns perderam até 20% do peso inicial em 52 semanas. Aqueles com diabetes tipo 2 apresentaram uma média de perda de até 17%.
Embora esses números não sejam diretamente comparáveis com os de outros medicamentos já aprovados, os resultados colocam o MariTide em pé de igualdade com as opções atuais mais potentes. Além disso, muitos pacientes ainda estavam perdendo peso quando o estudo terminou, o que sugere um potencial ainda maior em tratamentos prolongados.
Efeitos colaterais e próximos passos
Nem tudo, porém, são boas notícias. O MariTide apresentou taxas mais elevadas de náuseas e vômitos em alguns grupos, o que levou a uma desistência precoce de parte dos participantes. No entanto, pesquisadores indicam que esse efeito pode ser amenizado com um aumento gradual das doses — prática já adotada com as drogas GLP-1 existentes.
A Amgen pretende aplicar essa estratégia em seu estudo de Fase III, que terá duração de 72 semanas e já começou a recrutar participantes com obesidade e diabetes tipo 2. A empresa também planeja expandir os testes para tratar outras condições relacionadas, como doenças cardiovasculares, apneia do sono e insuficiência cardíaca.
O futuro dos tratamentos contra a obesidade
O MariTide é apenas uma entre dezenas de drogas em desenvolvimento que buscam melhorar a eficácia, reduzir os efeitos adversos e facilitar o uso de medicamentos contra a obesidade. Algumas opções em estudo prometem versões em comprimido ou sem os incômodos gastrointestinais comuns às terapias atuais.
Nem todas essas alternativas chegarão ao mercado, mas o cenário aponta para um futuro em que semaglutida e tirzepatida não serão mais as únicas soluções. O MariTide surge como um concorrente forte, com potencial para transformar os protocolos de tratamento e oferecer mais conforto e resultados duradouros para milhões de pessoas.