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Ciência

Nova pílula diária promete controlar pressão arterial resistente e pode revolucionar tratamentos

Um novo medicamento experimental, o baxdrostat, reduziu de forma significativa a pressão arterial de pacientes com hipertensão resistente, segundo um estudo publicado no New England Journal of Medicine. A descoberta pode mudar o tratamento de milhões de pessoas e já está sendo analisada para aprovação pela FDA.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um avanço promissor no campo da cardiologia pode transformar o futuro dos tratamentos para hipertensão. Uma pesquisa recente, publicada no New England Journal of Medicine, revelou que uma pílula experimental diária conseguiu reduzir de forma significativa a pressão arterial em pacientes com hipertensão persistente, aquela que não responde a outros medicamentos. Os resultados abriram caminho para que a AstraZeneca solicite aprovação do medicamento nos Estados Unidos, alimentando esperanças para milhões de pessoas que convivem com a condição.

Um problema global que desafia tratamentos atuais

A hipertensão arterial é uma das doenças crônicas mais comuns e silenciosas no mundo, responsável por aumentar o risco de infartos, AVCs, insuficiência cardíaca e problemas renais. Apesar da variedade de medicamentos disponíveis, cerca de metade dos pacientes não consegue manter a pressão sob controle, segundo o Dr. Bryan Williams, pesquisador principal e professor de medicina do University College London.

“A estimativa conservadora é que 50% das pessoas tratadas ainda não têm a pressão controlada — e esse número pode ser maior, já que os níveis-alvo de pressão arterial hoje são mais rigorosos do que antes”, destacou Williams.

Como funciona o baxdrostat e o que o estudo revelou

O baxdrostat atua bloqueando a produção de aldosterona, um hormônio que regula o equilíbrio de sal e água no organismo. Em algumas pessoas, os níveis elevados dessa substância levam à retenção de líquidos, dificultando o controle da pressão.

O estudo clínico envolveu cerca de 800 participantes com pressão sistólica entre 140 e 170 mmHg, todos diagnosticados com hipertensão resistente e já em uso de dois ou mais medicamentos. Os voluntários foram divididos em três grupos: dois receberam doses diárias de 1 mg ou 2 mg do novo fármaco, e o terceiro tomou um placebo.

Após três meses de tratamento, os pacientes que receberam o baxdrostat apresentaram uma redução média de 9 a 10 mmHg na pressão arterial. Além disso, 40% dos voluntários alcançaram níveis considerados saudáveis, contra apenas 20% do grupo placebo.

Impacto e potencial do novo tratamento

De acordo com o Dr. Williams, esse nível de redução está diretamente associado a uma queda significativa no risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal.

A AstraZeneca, responsável pelo financiamento e desenvolvimento do medicamento, anunciou que vai solicitar a aprovação do baxdrostat à FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) nos próximos meses.

Para Sharon Barr, vice-presidente executiva de Pesquisa e Desenvolvimento da farmacêutica, os dados representam um avanço importante:
“Esses resultados mostram o potencial do baxdrostat para enfrentar um dos maiores desafios na cardiologia atual: a hipertensão difícil de controlar, mesmo com múltiplas terapias”, disse em comunicado.

O que esperar daqui para frente

Se aprovado, o baxdrostat pode revolucionar o tratamento da hipertensão resistente e beneficiar milhões de pessoas no mundo. Ainda assim, especialistas ressaltam que o medicamento precisa passar por novas fases de análise para comprovar sua segurança e eficácia a longo prazo.

Enquanto isso, médicos recomendam que os pacientes mantenham acompanhamento regular, sigam o tratamento prescrito e adotem hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e redução do consumo de sal.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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