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Ciência

Nova Zelândia dá passo inédito no combate à depressão com substância psicodélica

Pela primeira vez, um país aprova oficialmente o uso terapêutico da psilocibina, presente nos chamados "cogumelos mágicos", para tratar depressão resistente. A decisão abre caminho para novas abordagens na saúde mental, mas também gera debates sobre riscos e regulamentação.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Nova Zelândia entrou para a história ao se tornar o segundo país do mundo a permitir o uso medicinal da psilocibina — substância psicodélica extraída de cogumelos — no tratamento da depressão resistente. A medida é considerada inovadora por especialistas em saúde mental, mas ainda levanta questionamentos dentro da comunidade científica quanto à segurança e aos critérios de prescrição.

 

Um avanço científico com foco nos casos mais graves

A autorização foi concedida pela agência reguladora Medsafe a um único psiquiatra do país, que poderá prescrever, fornecer e administrar a psilocibina em contextos clínicos específicos. O foco é o tratamento de pacientes com depressão resistente — ou seja, que não respondem a abordagens terapêuticas convencionais.

O primeiro-ministro David Seymour comemorou a decisão nas redes sociais, afirmando que se trata de “um avanço inteligente, baseado na ciência”. Segundo ele, a psilocibina assistida por psicoterapia pode oferecer esperança para quem enfrenta os desafios mais complexos da saúde mental.

A substância, conhecida quimicamente como 4-fosforiloxi-N,N-dimetiltriptamina, é encontrada em cogumelos psicodélicos e tem a capacidade de alterar a percepção da realidade. Há décadas, pesquisadores investigam seus potenciais efeitos terapêuticos.

 

Resultados promissores, mas ainda controversos

Zetas
© Unsplash

Estudos internacionais vêm apontando benefícios no uso clínico da psilocibina. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, revelaram em 2020 que, quando aliada à psicoterapia, a substância pode reduzir de forma rápida e significativa os sintomas depressivos.

Dois anos antes, cientistas do Imperial College London já haviam notado efeitos positivos no bem-estar psicológico e na redução de pensamentos autoritários após apenas uma semana de tratamento. No entanto, especialistas alertam que os estudos ainda têm amostras pequenas e resultados heterogêneos.

O professor Cecilio Álamo, da Sociedade Espanhola de Farmacologia, ressalta que a experiência subjetiva provocada pela substância dificulta a avaliação de possíveis efeitos colaterais raros, mas relevantes em longo prazo.

 

Um psiquiatra, protocolos rígidos e segurança reforçada

Por ora, apenas um psiquiatra na Nova Zelândia tem permissão para utilizar a substância, e ele já possui experiência com pacientes em estudos clínicos anteriores. Segundo o Ministério da Saúde, o profissional deverá seguir protocolos rigorosos, com avaliações detalhadas do histórico clínico dos pacientes — incluindo possíveis casos de abuso de substâncias.

A Medsafe estuda ampliar a autorização para outros profissionais, desde que comprovem competência e passem por um processo formal de aprovação. Para isso, o governo está desenvolvendo uma diretriz específica para o uso controlado da psilocibina.

“Todas as solicitações serão avaliadas com base na segurança do paciente e na qualificação do profissional”, informou o órgão.

 

Segunda nação a liberar, mas ainda com cautela

A Nova Zelândia segue os passos da Austrália, que em julho de 2023 autorizou o uso da psilocibina e do MDMA como tratamentos para transtorno de estresse pós-traumático e depressão severa. Agora, ambos os países lideram uma mudança de paradigma no enfrentamento de doenças mentais.

Ainda assim, a liberação é cercada de precauções. A natureza psicodélica da substância exige supervisão intensiva, ambientes controlados e acompanhamento profissional constante. Os próximos passos serão fundamentais para avaliar os riscos, benefícios e impactos de uma terapia que, embora promissora, ainda é nova e sensível.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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