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Novo acordo militar com o Reino Unido promete mudar a indústria de defesa no Brasil

O Exército brasileiro assinou um acordo inédito para fabricar obuseiros em território nacional. O projeto, em parceria com a britânica BAE Systems, promete fortalecer a capacidade de defesa e abrir espaço para que o Brasil se consolide como produtor estratégico de artilharia moderna.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Na quinta-feira (11), o Exército do Brasil firmou uma declaração de intenções com o Reino Unido para iniciar a produção de obuseiros L119 no país. O acordo, celebrado em Londres durante uma das maiores feiras globais de defesa, marca um passo estratégico: desenvolver capacidade nacional em armamentos de longo alcance e fortalecer a indústria de defesa brasileira.

O que são os obuseiros L119

O modelo L119 é um obuseiro leve de calibre 105 mm, conhecido por sua mobilidade e versatilidade. Diferente de artilharias pesadas tradicionais, que sofrem com a dificuldade de transporte, o L119 pode ser carregado por caminhões comuns, graças ao peso relativamente baixo.

Esse tipo de artilharia tem sido usado em conflitos atuais, como a guerra da Ucrânia, e também possui versões em operação no exército dos Estados Unidos.

Produção em território nacional

Segundo informações do Exército e do Ministério da Defesa, a fabricação será realizada no Arsenal de Guerra de São Paulo, em parceria com a BAE Systems, fabricante original do equipamento.

A expectativa é que a produção conjunta não apenas garanta o fornecimento de obuseiros para as Forças Armadas brasileiras, mas também estimule a cadeia de fornecedores nacionais, gerando empregos e know-how no setor de defesa.

Segundo acordo em uma semana

Este é o segundo acordo militar entre Brasil e Reino Unido em apenas dois dias. Na quarta-feira (10), a Marinha do Brasil já havia assinado contrato para adquirir um navio de guerra da Marinha Real Britânica.

Ambas as iniciativas foram formalizadas durante a DSEI (Defense and Security Equipment International), feira internacional de defesa e segurança realizada em Londres. O evento é considerado uma das maiores vitrines do setor, reunindo governos, empresas e especialistas em tecnologia militar.

O Brasil na vitrine internacional

O Brasil levou para Londres um pavilhão exclusivo, o “Espaço Brasil”, coordenado pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE).

Ao menos 11 empresas brasileiras participam da feira, expondo soluções em defesa e segurança a delegações estrangeiras. Além de fortalecer laços institucionais, a iniciativa dá visibilidade internacional às empresas nacionais e pode abrir portas para exportações e novas parcerias estratégicas.

Reforço à indústria de defesa

A assinatura desses acordos evidencia a busca do Brasil por modernizar suas Forças Armadas e ao mesmo tempo investir na indústria de defesa nacional. O modelo de produção local, em parceria com multinacionais, é visto como um caminho para reduzir a dependência de importações, criar empregos e ampliar a autonomia tecnológica.

Especialistas apontam que o acordo pode ter efeitos de médio e longo prazo: além de equipar o Exército com artilharia moderna, pode consolidar o país como produtor regional de obuseiros, com potencial até para exportação.

Estratégia e simbolismo

Mais do que reforçar capacidades bélicas, a parceria com o Reino Unido tem peso político e diplomático. Em um cenário global marcado por conflitos e tensões, o Brasil se projeta como ator relevante em defesa e cooperação internacional, reforçando sua posição em fóruns multilaterais e na indústria global de segurança.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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