A calvície masculina — ou alopecia androgenética (AGA) — afeta metade dos homens até os 50 anos. Apesar de existir uma grande indústria em torno de produtos e procedimentos, os tratamentos eficazes continuam limitados basicamente a finasterida, minoxidil e transplante capilar. Agora, uma nova terapia surge como a maior promessa em décadas.
A farmacêutica Cosmo Pharmaceuticals divulgou nesta quarta-feira os resultados de seus dois maiores ensaios clínicos com clascoterona tópica 5%, um medicamento que atua diretamente nos receptores hormonais que desencadeiam a perda de fios.
Um mecanismo totalmente novo
A clascoterona é um inibidor de receptores androgênicos — ou seja, age bloqueando a ação dos hormônios masculinos (especialmente o DHT) nos folículos capilares. Na AGA, esses folículos são geneticamente sensíveis ao DHT e gradualmente diminuem até parar de produzir cabelo.
Diferente da finasterida, que reduz a produção de DHT no corpo inteiro, a clascoterona é absorvida minimamente na corrente sanguínea, segundo a empresa. Isso pode reduzir riscos de efeitos colaterais sistêmicos.
O medicamento já é aprovado nos EUA desde 2020 como tratamento para acne, mas esta é a primeira vez que ele é testado em larga escala para calvície masculina.
O estudo: quase 1.500 homens e resultados robustos
Os ensaios envolveram cerca de 1.500 participantes diagnosticados com alopecia androgenética. Eles foram divididos entre placebo e clascoterona 5%, aplicada diretamente nas áreas afetadas.
Os resultados superaram expectativas:
- 539% mais crescimento capilar vs. placebo (em um dos estudos)
- 168% mais crescimento vs. placebo (no outro ensaio)
- Ambos os estudos atingiram seus objetivos primários
- Boa tolerabilidade e eventos adversos mínimos
Apesar de percentuais distintos, a quantidade absoluta de fios recuperados foi semelhante nos dois testes — o que sugere consistência no efeito.
Para Giovanni Di Napoli, CEO da Cosmo, o medicamento abre “uma nova era nos tratamentos de calvície”, oferecendo eficácia sem a necessidade de modular hormônios no corpo todo.
Por que este medicamento importa tanto?
Se aprovado, será o primeiro novo tratamento real para calvície masculina desde os anos 1990, quando finasterida e minoxidil chegaram ao mercado.
A clascoterona pode se tornar:
- uma alternativa para quem tem efeitos colaterais com finasterida,
- um complemento para potencializar resultados,
- uma opção para quem não deseja medicamentos sistêmicos,
- um pré-tratamento antes de transplantes, melhorando densidade doadora.
Com dezenas de milhões de homens sofrendo com AGA, o mercado potencial é enorme.
O que vem agora?
A Cosmo está finalizando um estudo adicional de segurança de 12 meses, necessário antes de apresentar o pedido de aprovação à FDA (EUA) e à Agência Europeia de Medicamentos.
Se tudo correr bem, o medicamento pode chegar ao mercado em 2025 ou 2026.
Para quem luta contra a calvície, a clascoterona representa algo raro: uma novidade real, com mecanismo diferente e resultados promissores — algo que a dermatologia capilar não via há quase 30 anos.