Pular para o conteúdo
Ciência

Novo medicamento contra calvície mostra aumento de 539% no crescimento capilar — e pode ser o primeiro tratamento realmente inovador em 30 anos

Um fármaco tópico chamado clascoterona apresentou resultados impressionantes em dois ensaios clínicos de fase III: até 539% mais crescimento de cabelo em comparação ao placebo. Se aprovado pela FDA em 2025, o medicamento pode inaugurar a primeira nova classe de tratamentos para calvície masculina em três décadas.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

A calvície masculina — ou alopecia androgenética (AGA) — afeta metade dos homens até os 50 anos. Apesar de existir uma grande indústria em torno de produtos e procedimentos, os tratamentos eficazes continuam limitados basicamente a finasterida, minoxidil e transplante capilar. Agora, uma nova terapia surge como a maior promessa em décadas.

A farmacêutica Cosmo Pharmaceuticals divulgou nesta quarta-feira os resultados de seus dois maiores ensaios clínicos com clascoterona tópica 5%, um medicamento que atua diretamente nos receptores hormonais que desencadeiam a perda de fios.

Um mecanismo totalmente novo

A clascoterona é um inibidor de receptores androgênicos — ou seja, age bloqueando a ação dos hormônios masculinos (especialmente o DHT) nos folículos capilares. Na AGA, esses folículos são geneticamente sensíveis ao DHT e gradualmente diminuem até parar de produzir cabelo.

Diferente da finasterida, que reduz a produção de DHT no corpo inteiro, a clascoterona é absorvida minimamente na corrente sanguínea, segundo a empresa. Isso pode reduzir riscos de efeitos colaterais sistêmicos.

O medicamento já é aprovado nos EUA desde 2020 como tratamento para acne, mas esta é a primeira vez que ele é testado em larga escala para calvície masculina.

O estudo: quase 1.500 homens e resultados robustos

Os ensaios envolveram cerca de 1.500 participantes diagnosticados com alopecia androgenética. Eles foram divididos entre placebo e clascoterona 5%, aplicada diretamente nas áreas afetadas.

Os resultados superaram expectativas:

  • 539% mais crescimento capilar vs. placebo (em um dos estudos)

  • 168% mais crescimento vs. placebo (no outro ensaio)

  • Ambos os estudos atingiram seus objetivos primários

  • Boa tolerabilidade e eventos adversos mínimos

Apesar de percentuais distintos, a quantidade absoluta de fios recuperados foi semelhante nos dois testes — o que sugere consistência no efeito.

Para Giovanni Di Napoli, CEO da Cosmo, o medicamento abre “uma nova era nos tratamentos de calvície”, oferecendo eficácia sem a necessidade de modular hormônios no corpo todo.

Por que este medicamento importa tanto?

Se aprovado, será o primeiro novo tratamento real para calvície masculina desde os anos 1990, quando finasterida e minoxidil chegaram ao mercado.

A clascoterona pode se tornar:

  • uma alternativa para quem tem efeitos colaterais com finasterida,

  • um complemento para potencializar resultados,

  • uma opção para quem não deseja medicamentos sistêmicos,

  • um pré-tratamento antes de transplantes, melhorando densidade doadora.

Com dezenas de milhões de homens sofrendo com AGA, o mercado potencial é enorme.

O que vem agora?

A Cosmo está finalizando um estudo adicional de segurança de 12 meses, necessário antes de apresentar o pedido de aprovação à FDA (EUA) e à Agência Europeia de Medicamentos.

Se tudo correr bem, o medicamento pode chegar ao mercado em 2025 ou 2026.

Para quem luta contra a calvície, a clascoterona representa algo raro: uma novidade real, com mecanismo diferente e resultados promissores — algo que a dermatologia capilar não via há quase 30 anos.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados