Nos últimos anos, a inteligência artificial se tornou o motor do otimismo tecnológico e, em certa medida, da própria economia americana. De megainvestimentos em chips até projetos de data centers que superam o PIB de países inteiros, o dinheiro parece não ter fim. Mas, segundo o Deutsche Bank, há sinais claros de que a euforia pode estar mascarando riscos profundos.
IA está segurando a economia dos EUA
Em nota assinada por George Saravelos, estrategista do banco, o alerta é direto: “as máquinas de IA estão literalmente salvando a economia dos EUA neste momento”. Ele afirma que, sem os gastos relacionados a tecnologia, o país estaria muito próximo de uma recessão em 2024.
Isso bate com dados já divulgados pelo Wall Street Journal, que mostrou que os investimentos em infraestrutura de IA contribuíram mais para o crescimento do PIB americano neste ano do que todo o consumo das famílias somado.
Nvidia: a gigante que carrega tudo nas costas
Entre todas as empresas, a Nvidia desponta como a principal responsável por sustentar o ciclo de expansão. Para Saravelos, a fabricante de chips está “carregando o peso do crescimento econômico dos EUA”.
O problema? Esse ciclo só se mantém se o crescimento da companhia for exponencial — algo difícil de sustentar por muito tempo. “Para que a tecnologia continue puxando o PIB, os investimentos precisam se manter parabólicos. Isso é altamente improvável”, escreveu o analista.
Concentração extrema no mercado
O risco não está apenas na Nvidia ou no setor de chips. Para Torsten Sløk, economista-chefe da gestora Apollo, há um problema estrutural: o nível de concentração no S&P 500 é “extremo”, deixando investidores expostos de forma perigosa ao setor de IA.
Em outras palavras, uma desaceleração no hype da inteligência artificial pode provocar efeitos em cascata em todo o mercado de ações.
O custo explosivo da IA
Além do risco financeiro, há o custo físico de sustentar a revolução da IA. Segundo a Bain & Company, a demanda computacional da inteligência artificial cresce a mais que o dobro da taxa prevista pela Lei de Moore.
Se essa tendência continuar, até 2030 o mundo precisará gastar US$ 2 trilhões por ano apenas para atender a demanda computacional da IA. O problema: ainda faltam cerca de US$ 800 bilhões em infraestrutura para manter esse ritmo.
E a rentabilidade?
O investimento bilionário, até agora, não tem se refletido em retorno proporcional. Um estudo do MIT mostrou que apenas 5% das empresas que adotaram ferramentas de IA generativa registraram aceleração significativa de receita. O restante teve ganhos modestos ou nulos.
A disparidade entre expectativas e resultados reforça a percepção de que o mercado pode estar supervalorizado e que a tão prometida “transformação” da IA ainda não se converteu em lucro palpável.
O que vem pela frente
A questão central, segundo analistas, é se o setor conseguirá justificar os investimentos colossais antes que a confiança se esgote. Enquanto alguns defendem que a curva de aprendizado e adoção ainda está no início, outros acreditam que o estouro da bolha é apenas questão de tempo.
No fim, como ironiza o relatório, talvez só falte mais um “pequeno” investimento de US$ 500 bilhões para que tudo finalmente faça sentido. Quem se habilita?