Pular para o conteúdo
Ciência

O cometa interestelar 3I/ATLAS acaba de emitir um sinal que revela sua composição — e pode confirmar sua verdadeira natureza

Desde sua descoberta, o cometa interestelar 3I/ATLAS intriga os astrônomos por seu tamanho incomum e sua velocidade muito superior à de cometas típicos do Sistema Solar. Agora, a detecção de sinais de hidroxila (OH) em frequências clássicas de radioastronomia indica que ele está liberando água ao se aproximar do Sol. A confirmação final, porém, virá em dezembro de 2025, quando ele estará mais próximo da Terra.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já observado passando pelo Sistema Solar, depois de 1I/ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019). Mas, ao contrário de seus antecessores, ele apresenta dimensões e comportamento que têm levantado debates intensos na comunidade científica. Agora, uma nova observação em rádio trouxe a pista mais sólida até o momento sobre sua composição: ele parece estar liberando moléculas associadas à água. Apesar disso, os astrônomos recomendam cautela até seu próximo sobrevoo próximo à Terra.

Uma assinatura química reveladora

Atlas Cometa (2)
© NASA, ESA.

A pista mais recente sobre a natureza do 3I/ATLAS veio do radiotelescópio MeerKAT, localizado na África do Sul.
No dia 24 de outubro, o observatório detectou sinais nas frequências 1665 e 1667 MHz, precisamente aquelas associadas à molécula hidroxila (OH).
Esse composto costuma ser formado quando a radiação solar quebra moléculas de água (H₂O) presentes na superfície ou na atmosfera de um cometa.

Isso significa que o ATLAS contém ou está liberando água congelada, algo típico de cometas que se aproximam do Sol.
A detecção, portanto, é atualmente a melhor evidência físico-química de sua natureza cometária.

Movimento e temperatura: o que dizem os números

A análise do sinal também revelou um deslocamento de –15,6 km/s, indicando que o objeto está se aproximando da Terra (sem risco de colisão).
A largura da linha detectada foi pequena, entre 0,9 e 1,3 km/s, sugerindo que o gás liberado é relativamente frio e suave, sem atividade explosiva.

Esse comportamento se encaixa no esperado para cometas ainda distantes, cuja atividade aumenta gradualmente conforme recebem mais luz solar.

Por que os cientistas ainda evitam conclusões definitivas

Embora o sinal de hidroxila seja consistente com um cometa, os pesquisadores evitam afirmar que o caso está encerrado.
Isso ocorre porque o 3I/ATLAS é muito maior e muito mais rápido do que cometas comuns.
Além disso, a comunidade lembra da experiência com ʻOumuamua, que também apresentou características inesperadas e gerou interpretações controversas.

A observação mais decisiva ocorrerá quando o objeto estiver mais próximo e apresentar maior atividade, possibilitando medições visuais e espectrais mais detalhadas.

Quando o 3I/ATLAS chegará mais perto da Terra?

Cometa Atlas
© X -@astronomacamila

Segundo a NASA, o 3I/ATLAS chegará à sua distância mínima da Terra em dezembro de 2025, quando estará a cerca de 1,8 unidades astronômicas (aproximadamente 270 milhões de quilômetros).
A Agência Espacial Europeia especificou a data: 19 de dezembro de 2025.

Ele não será visível a olho nu, mas será um momento crucial para telescópios ao redor do mundo.
Será então que os astrônomos poderão observar sua coma, medir a quantidade de gelo e determinar o quanto ele se diferencia dos demais cometas.

Por que isso importa

Objetos interestelares são fragmentos de outros sistemas planetários.
Estudar o 3I/ATLAS é, na prática, analisar o material de mundos que se formaram em volta de outras estrelas.

Cada dado registrado sobre ele ajuda a responder perguntas fundamentais:

  • Como nascem planetas fora do Sistema Solar?

  • Como são os cometas de outras estrelas?

  • A química da vida é comum no universo?

Em dezembro de 2025, poderemos estar mais perto dessas respostas.

 

[ Fonte: Clarín ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados