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Ciência

O espanhol deixou de ser obrigatório nas escolas do Brasil, mas o interesse pelo idioma continua crescendo

Proximidade com países vizinhos, turismo, negócios e uma comunidade hispanofalante cada vez mais presente ajudam a manter o idioma relevante entre os brasileiros
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Tempo de leitura: 3 minutos

O espanhol deixou de ter oferta obrigatória no ensino médio brasileiro há quase uma década. Seria razoável imaginar que o interesse pelo idioma diminuísse com o tempo. Mas existem sinais apontando na direção contrária.

Durante uma visita a São Paulo, o diretor do Instituto Cervantes, Luis García Montero, destacou que fatores geográficos, culturais e sociais continuam aproximando os brasileiros do espanhol. E existe uma característica difícil de ignorar: o Brasil está praticamente cercado por países onde o idioma é dominante.

O Brasil tem a maior rede do Instituto Cervantes

Um sinal da importância do país está na própria estrutura do Instituto Cervantes.

A instituição mantém oito unidades no Brasil, sua maior rede em um único país. Além de São Paulo, existem centros em Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Há ainda uma rede de locais vinculados às provas de certificação do idioma.

Em São Paulo, segundo dados apresentados por García Montero, as matrículas nos cursos do Cervantes cresceram 7% no período atual em comparação com o anterior.

O número não permite afirmar que o ensino de espanhol cresceu 7% em todo o Brasil. Ele representa apenas a atividade da instituição em São Paulo. Ainda assim, funciona como um indicador concreto de que existe demanda pelo idioma.

A geografia brasileira ajuda a explicar esse interesse

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© Pexels

Poucos países possuem uma relação geográfica com o espanhol semelhante à do Brasil.

Dos dez países com os quais o território brasileiro compartilha fronteiras, sete têm o espanhol como idioma oficial predominante: Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela.

Essas fronteiras são acompanhadas por turismo, comércio, migração e relações familiares.

Por isso, para muitos brasileiros, aprender espanhol não significa necessariamente entrar em contato com uma realidade distante. O idioma está presente em países que começam literalmente do outro lado da fronteira.

Essa proximidade também aparece nos negócios, nas universidades, no turismo e no cotidiano de regiões fronteiriças.

Milhões de hispanofalantes vivem no Brasil

Outro fator é a própria presença do espanhol dentro do território brasileiro.

Segundo números citados por García Montero e atribuídos ao Observatório Global do Espanhol, cerca de 20 milhões de hispanofalantes vivem no Brasil.

Esse universo inclui diferentes perfis: imigrantes e seus descendentes, brasileiros que viveram em países de língua espanhola e comunidades localizadas em regiões de fronteira.

O número ajuda a entender por que o idioma consegue manter relevância mesmo depois das mudanças ocorridas no sistema educacional.

Em 2017, uma reforma eliminou a obrigatoriedade federal de as escolas de ensino médio oferecerem espanhol como língua estrangeira. Desde então, sua presença passou a depender mais das redes de ensino, das instituições e das decisões locais.

Literatura e cultura também entram nessa expansão

O Instituto Cervantes aposta ainda em uma estratégia que vai além das salas de aula.

Literatura, cinema, arte e atividades culturais são utilizados como portas de entrada para o idioma. A ideia é apresentar o espanhol não apenas como uma habilidade profissional, mas como acesso a um enorme espaço cultural compartilhado por dezenas de países.

São Paulo oferece um exemplo dessa aproximação. A Bienal Internacional do Livro reúne centenas de expositores e centenas de milhares de visitantes, criando um espaço privilegiado para o contato entre leitores brasileiros e a produção editorial em espanhol.

A circulação cultural também ocorre em sentido inverso. Português e espanhol formam os dois grandes espaços linguísticos da América Latina, separados por diferenças importantes, mas conectados por uma longa história regional.

O espanhol sobreviveu à mudança nas escolas

A experiência brasileira mostra que a presença de um idioma não depende exclusivamente de sua obrigatoriedade no currículo.

Políticas educacionais podem aumentar ou reduzir seu alcance, mas existem forças que continuam atuando fora das escolas.

No caso do espanhol, elas são especialmente fortes: fronteiras extensas, turismo, comércio, migração, relações familiares e circulação cultural.

O idioma perdeu o espaço obrigatório que possuía no ensino médio brasileiro, mas não desapareceu do cotidiano do país.

E talvez essa seja justamente sua maior vantagem. Para milhões de brasileiros, aprender espanhol não significa simplesmente estudar uma língua estrangeira. Significa compreender melhor os países que ocupam quase todo o mapa ao redor do Brasil.

 

[ Fonte: Mi Punto de Vista ]

 

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