Restaurantes cheios, voos internacionais movimentados e mais idiomas estrangeiros pelas ruas são sinais de uma mudança que começa a aparecer também nas estatísticas. Uma das grandes capitais turísticas da América Latina está recuperando visitantes em ritmo acelerado. Entre janeiro e julho de 2026, a chegada de estrangeiros cresceu dois dígitos, mas um detalhe chama ainda mais atenção: de onde vem a maior parte deles.
Mais de 1,6 milhão de turistas chegaram em apenas sete meses
Buenos Aires recebeu 1,61 milhão de turistas internacionais entre janeiro e julho de 2026, segundo números divulgados pelo Ente de Turismo da cidade. O volume representa um crescimento de aproximadamente 19% em comparação com o mesmo período de 2025.

O resultado reforça a recuperação do turismo receptivo na capital argentina e aparece em um momento estratégico para o setor, às vésperas de uma nova edição da Feira Internacional de Turismo (FIT), um dos principais encontros da indústria na região.
O movimento não depende de apenas um mercado. Visitantes provenientes de diferentes países estão retornando à cidade, atraídos por uma combinação de gastronomia, cultura, entretenimento, vida noturna e uma conectividade aérea internacional que voltou a ganhar força.
Mas existe um país que aparece claramente à frente dos demais.
O Brasil respondeu por 22% de todos os turistas internacionais, com cerca de 357 mil visitantes no período. Em outras palavras, aproximadamente um em cada cinco estrangeiros que chegaram à capital argentina veio do país vizinho.
Na segunda posição ficaram os Estados Unidos, responsáveis por aproximadamente 219 mil turistas, ou 14% do total. O Uruguai apareceu em seguida, com 171 mil visitantes e participação de 11%.
O Brasil voltou a ocupar um lugar decisivo para Buenos Aires
A importância brasileira não é exatamente uma novidade. A proximidade geográfica, a oferta de voos e o interesse histórico por Buenos Aires transformaram o Brasil em um dos mercados mais relevantes para o turismo argentino.
O que os números atuais mostram é que essa relação continua extremamente forte.
Há também um componente econômico. Dados do Mastercard Economics Institute indicam que a Argentina está entre os destinos turísticos mais sensíveis às variações cambiais do mundo. Segundo a análise, uma desvalorização de 10% do peso argentino está associada a um crescimento de 9,5% nas chegadas internacionais, muito acima da média global de 2,4%.
Os brasileiros também apresentam um padrão de consumo importante para a economia turística argentina. De acordo com o mesmo levantamento, eles destinam cerca de 37,3% de seus gastos no país à hospedagem e outros 27,1% aos restaurantes.
Isso ajuda a entender por que atrair visitantes do Brasil significa muito mais do que aumentar as estatísticas de desembarques. O impacto se espalha por hotéis, restaurantes, transporte, comércio, espetáculos e diferentes serviços ligados ao turismo.
E enquanto os mercados vizinhos sustentam boa parte desse movimento, uma origem muito mais distante começa a surpreender.
Um mercado do outro lado do mundo está crescendo rapidamente

Entre os números divulgados sobre 2026, a China aparece como um dos casos mais interessantes.
A quantidade de turistas chineses que chegaram a Buenos Aires cresceu 62% em relação ao ano anterior e 80% na comparação com 2024. O avanço coincide com melhorias importantes na conectividade aérea entre os dois países.
A China Eastern passou a operar uma conexão entre Xangai e Buenos Aires, e a companhia deverá ampliar suas frequências em dezembro. Embora seja um mercado numericamente menor que Brasil, Estados Unidos ou Uruguai, seu ritmo de crescimento chama atenção.
A Europa também continua relevante. A Espanha foi o principal mercado europeu no período analisado, com aproximadamente 73 mil visitantes, equivalentes a 5% do total, ficando à frente de países como Itália e Alemanha.
Todos esses movimentos colocam a conectividade aérea no centro da recuperação.
Dos 1,61 milhão de visitantes estrangeiros registrados entre janeiro e julho, cerca de 1,2 milhão chegaram de avião, representando aproximadamente 76% do total. No mesmo intervalo, os voos internacionais de e para Buenos Aires movimentaram 8,6 milhões de passageiros, 9% acima do registrado um ano antes.
Os aeroportos ajudam a explicar o que está acontecendo nas ruas
São Paulo, Santiago do Chile, Rio de Janeiro, Madrid e Lima estão entre as rotas internacionais de maior movimento ligadas à capital argentina. Essa malha ajuda Buenos Aires a funcionar simultaneamente como destino turístico e porta de entrada para outras regiões do país.
A tendência é que a conectividade continue aumentando. Entre as novidades previstas está uma ligação sem escalas entre Buenos Aires e Tel Aviv, além da ampliação das frequências provenientes de Xangai.
O cenário mostra como a disputa pelo turista internacional mudou. Não basta possuir monumentos, gastronomia ou atrações culturais. A facilidade para chegar ao destino, a quantidade de voos, o câmbio e a promoção realizada nos mercados estratégicos podem alterar rapidamente o fluxo de visitantes.
Buenos Aires parece estar aproveitando essa combinação.
E, apesar do avanço de mercados distantes, o mapa de 2026 deixa uma conclusão particularmente clara: o visitante mais importante para a capital argentina continua vindo de muito perto. O Brasil permanece no topo e confirma que a relação entre os dois países também é decisiva quando o assunto é turismo.
[Fonte: LG]