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Ciência

O espelho distante que antecipa o choque inevitável entre a Via Láctea e Andrômeda

A bilhões de quilômetros, duas galáxias gêmeas da Via Láctea e de Andrômeda estão vivendo um encontro dramático que pode antecipar o que nos aguarda no futuro distante. Astrônomos revelam como essa “dança” espacial pode mudar o que sabemos sobre a formação do universo.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O destino da nossa galáxia já está traçado: em cerca de 2,5 bilhões de anos, a Via Láctea e Andrômeda irão se fundir, criando uma supergaláxia. O que intriga os cientistas não é se isso vai acontecer, mas como será esse processo. Um par de galáxias distantes oferece um vislumbre impressionante desse futuro — e levanta novas questões sobre a cosmologia.

Um laboratório natural para prever nosso destino

O projeto Delegate, liderado pela Dra. Sarah Sweet, da Universidade de Queensland, analisou as galáxias NGC5713 e NGC5719, separadas por cerca de 94 kiloparsecs e conectadas por uma ponte de hidrogênio neutro que se estende por mais de 200 kiloparsecs. Ambas têm massa, formato e brilho muito semelhantes aos da Via Láctea e Andrômeda, tornando-se um modelo quase perfeito para simular o que acontecerá no Grupo Local — o conjunto de galáxias que inclui a nossa.

Mas a revelação mais intrigante está ao redor dessas gigantes: 14 galáxias anãs orbitam as duas espirais seguindo padrões claros, divididas em dois grupos distintos. Esse arranjo ordenado, incomum em outros sistemas, sugere que a interação entre elas está reorganizando todo o conjunto de satélites.

A dança das galáxias anãs

Segundo o estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, cada espiral provavelmente trouxe seu próprio “séquito” de satélites. Agora, durante o processo de fusão, esses grupos parecem estar se integrando enquanto avançam por uma estrutura cósmica chamada Boötes Strip. Essa organização orbital é rara e coincide com previsões de modelos que simulam o futuro da Via Láctea e de Andrômeda, indicando que suas galáxias anãs também poderão passar por uma reorganização maciça.

Galáxias Anãs1
© Monthly Notices of the Royal Astronomical Society

Um desafio para a cosmologia

Para o professor Helmut Jerjen, da Universidade Nacional da Austrália, a formação desses “planos de satélites” é difícil de reproduzir nas simulações atuais do universo. Se esse padrão for comum, os modelos de formação galáctica e distribuição de matéria escura precisarão ser ajustados. Essa “tensão cosmológica” pode obrigar a reavaliar teorias já consolidadas sobre a evolução das galáxias.

O próximo passo da pesquisa

O projeto Delegate seguirá procurando outros pares de galáxias semelhantes à Via Láctea e Andrômeda para determinar se o Grupo Local é único ou parte de um fenômeno recorrente no cosmos. A resposta poderá não apenas ajudar a prever o nosso futuro galáctico, mas também mudar a forma como entendemos a própria história do universo.

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