Um estudo recente traz respostas surpreendentes: a IA já está afetando os mais jovens, expulsando-os de certas áreas, enquanto abre portas para profissões que sequer existem hoje.
A exclusão silenciosa da geração jovem
Pesquisadores de Stanford derrubaram um mito comum: de que os jovens se adaptariam melhor à inteligência artificial. O estudo “6 fatos sobre o emprego afetado pela IA” mostra o contrário. Justamente por ocuparem funções repetitivas e de baixa responsabilidade, os trabalhadores iniciantes são os primeiros a serem substituídos.
Empresas como as chamadas Big Four, antes cheias de estagiários para tarefas básicas de análise e redação, agora reduzem drasticamente essas contratações. Hoje, algoritmos executam grande parte dessas funções. Enquanto isso, profissionais experientes resistem melhor, pois oferecem julgamento, supervisão e criatividade — habilidades que a IA ainda não domina.
Entre a promessa e a distopia
O economista Javier Casares lembra que a humanidade sempre oscilou entre o entusiasmo tecnológico e o medo do colapso. A IA representa essa dualidade: pode impulsionar o crescimento econômico e melhorar a vida em sociedade, mas também criar um cenário distópico de perda maciça de empregos e ameaça à privacidade.
Um exemplo citado é o GeoSpy, tecnologia capaz de localizar alguém a partir de uma simples fotografia, sem GPS. Ferramenta útil em resgates, mas perigosa se mal utilizada. Essa ambiguidade, segundo Casares, também define o impacto da IA no mercado de trabalho: avanço e risco caminham juntos.

O dado que muda tudo: 65% dos empregos ainda não existem
Outro levantamento, da Organização Internacional do Trabalho, revela um cenário paradoxal: 65% das crianças de hoje trabalharão em ocupações que ainda não foram inventadas. Isso significa que, enquanto milhares de funções desaparecem, um novo universo de profissões emergirá.
Para Casares, o verdadeiro desafio é garantir que os jovens possam acessar essas novas oportunidades. Sem isso, a barreira da falta de experiência criará um “muro digital” que pode excluir toda uma geração da economia do futuro.
O que as máquinas podem — e o que não podem
Atualmente, algoritmos já superam especialistas em tarefas específicas, como análises radiológicas. No entanto, as decisões complexas ainda dependem do cérebro humano. A grande questão não é apenas quantos empregos serão eliminados, mas quais competências permanecerão exclusivamente humanas.
Casares conclui que não se trata de saber se haverá trabalho, mas sim quem terá acesso a ele. Em um mercado cada vez mais polarizado, os empregos repetitivos tendem a desaparecer, enquanto aqueles que exigem criatividade, talento e adaptação ganharão mais valor do que nunca.